domingo, 4 de dezembro de 2011

25. SER GAY É... (parte 2)

21. Ter de sussurrar ao telefone no trabalho, conversando com um amigo ou namorado, para que não se ouça a conversa, enquanto o colega da baia ao lado fala no dele pra toda empresa escutar: “E aí gostosa, vamos num motelzinho hoje?”
22. Ter de ser masculinos e acima de qualquer suspeita, mas soltar a franga com os amigos mais íntimos.
23. Ter de entender e achar muito legal umas expressões e gírias indecifráveis como: “uó”, “alibã”, “edi”, “aquendar”, etc.
24. Ter o celular mais moderno do mercado com câmera digital e internet pra tirar foto da balada com os amigos e colocar no facebook. Em tempo real. E o programa Grindr instalado, com uma foto que mostra o peito (não precisa mostrar o rosto).
25. Ter um secador de cabelos no banheiro.
26. Ter de ser educadíssimos.
27. Ter de falar inglês... viado que não sabe Inglês é considerado analfabeto. E também falar outros dois idiomas fluentemente, ainda que não fale e escreva o Português corretamente.
28. Tem de considerar uma ideia interessante transar a 3, a 4, a 7, a 23, a 42, etc, mesmo que não faça.
29. Ter pelo menos 2 namorados por ano, e cada namoro deve durar de 2 a 3 meses.
30. Ter de ser infiéis. E negar a infidelidade até a morte.
31. Ter de gostar de música eletrônica, mesmo que seja irritante e dê dor de cabeça.
32. Tem de saber conversar sobre política, religião, artes, filosofia, fofoca... menos sobre esportes.
33. Ter de fingir que se vai à Parada Gay pela causa e não pela pegação.
34. Ter de gostar de toda cantora americana peituda de cabelo alisado que grita mais do que canta.
35. Ter de aturar a pergunta de mamãe ou de vovó em toda reunião familiar: “quando você vai arrumar uma noiva, filhinho?”
36. Ter de ser bom de cama.
37. Ter de ter cabelo bom... se não for bom, que seja arrumado. De preferência, no gel.
38. Ter de ir ao Salão de Beleza, nunca ao Barbeiro.
39. Ter de ser inteligentes.
40. Ter de parecer cultos. Nem que a cultura seja a de uma revista Caras.

Se você quer conhecer os vinte primeiros itens, clique aqui. E aguarde, que em breve serão mais vinte.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

24. JOGO DA VERDADE


A garrafa girou caprichosamente, passando por mim, pela Dani(ela), pela Márcia, pelo Ale(ssandro), por sua namorada Gi(sele), pelo Bruno, pela Bia, pela Fa(biana) e parou em mim. Seria eu a perguntar. Resolvi jogar o dado: números ímpares, verdade. Números pares, desafio. O dado mostrou o número 4. Girei a garrafa de novo. Parou na Dani.
Lancei o desafio. Os seis restantes se alinharam e pedi que Dani jogasse o dado. Em quem o dado apontasse, ela teria de lamber um dos mamilos. Parou no número da Gi. Alê não gostou muito, mas deixou que Dani lambesse o mamilo da namorada. Como eu não disse se era com ou sem roupa, valeu que Gi não tirasse a blusa. Desafio cumprido e a certeza que a vingança viria, mais cedo ou mais tarde.
Algum tempo depois, a garrafa parou na Dani. Ela olhou pra mim e pegou o dado. Seis! E, já antevendo a bomba, esperei a garrafa parar apontada para mim para cumprir o desafio. E confesso que me assustei quando Dani pediu que eu escolhesse um dos homens do jogo para dar um beijo na boca e que não fosse selinho.
Por respeito a Gi, não escolheria, claro, Alê. Olhei para Bruno e falei: não vai ter jeito. E aconteceu., sobre aplausos e gritos das meninas. Não sei como a síndica de Fá não ligou para nós aquela hora da madrugada. Benditas cervejas e vinhos que nos permitiram anestesiar a lógica do raciocínio e embarcar na loucura ébria do jogo.
Acordei no dia seguinte com vergonha do mundo. Não pelo beijo que eu e Bruno trocamos, mas por ter sentido um tesão como mulher nenhuma que eu beijara antes tivesse me proporcionado. Sentia o perfume dele, tinha o gosto de minha boca em minha saliva, e isso me deixava excitado o tempo todo. Enfim, queria ver Bruno, embora não soubesse se teria coragem de encará-lo.
E foi à noite que nos encontramos. No bar, eu, Bia e Fá, quando ele chegou com Gi, Dani, Márcia e Alê.
Ninguém tocou no assunto da noite anterior, mas era visível o desconforto tanto meu quanto dele. E eram visíveis também nossas trocas de olhares. Gi e Alê logo se foram. Iriam para um motel para coroar o fim de semana. Depois, Fá e Bia também foram embora.
Foi minha vez de ir. Precisava passar numa farmácia. Quando eu paguei a conta e saí, um SMS no meu celular: “preciso falar com você”. Gelei. Era de Bruno. Uma hora depois, estávamos num outro bar, perto da rua Augusta.
Ele também estava dividido em seus sentimentos. A vergonha pelo primeiro beijo com outro homem e a vontade de repeti-lo. Num rompante de loucura e desejo, chamei-o para meu apartamento.
E lá, sobre a proteção de minha privacidade, nos entregamos ao nosso desejo de forma intensa, viceral, como jamais havia me entregado antes. E nunca havia sentido alguém se entregar a mim como aquele homem se entregou. Como dois animais no cio, como dois homens loucos de tesão, desejo, fúria, mas com um romantismo e carinhos nunca sentidos. Por ambos.
Aquele corpo com pelos, peito sem seios, barba na cara tocando minha pele, pernas peludas entrelaçadas. Cheiro de machos, gemidos de machos, desejos de machos, pegadas de machos. E foi com aquele macho que eu dormi aquela noite.
Abraçados.
Domingo passado eu e Bruno reunimos os amigos em meu apartamento. Os oito que estavam naquele Jogo da Verdade. E anunciamos que aquela noite fazia um ano que eu e Bruno estávamos juntos. E que queríamos dividir isso com eles.
Todos, entre a surpresa, a perplexidade, e a alegria, nos cumprimentaram, Dani exigiu ser a madrinha.
E todos pediram para ver, de novo, um beijo meu e de Bruno.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

23. ANJOS E PECADORES

Ao chegar à cidade litorânea onde tenho uma casa, vi uma faixa num poste onde a prefeitura da Praia Grande (SP) saudava os participantes de um evento esportivo-religioso.
Fui dormir depois das 3 da manhã e acordei no sábado às nove. Levei o cachorro para passear no calçadão, comprei o almoço, dei comida pro cachorro, fui para a praia e, em seguida, comprar algumas coisinhas pra equipar ainda mais a casa para eventuais locações no verão. Levei o cachorro agora para nadar no mar e à noite comprei uma pizza e mal esperei a “aaaaaaaaai, como eu tô bandida” da Valéria Vasques detonar sua amiga babuína e sempre bolinada Janete para desmaiar.
Sete da manhã estava acordado. Levei de novo o cachorro para o calçadão e antes das 9 eu estava na praia, caminhando junto ao mar, esperando o sol, ainda escondido atrás de um forte nevoeiro. Na areia, só os ambulantes preparando seus carrinhos aguardando os turistas que certamente ainda dormiam.
Foi quando avistei um homem, ao longe, fazendo sua corrida matinal. Usava apenas um short preto e tinha uma camiseta branca enrolada em uma de suas mãos. À medida que se aproximava, notei seu belo corpo, não malhado, mas definido. A pele morena, quase tendendo ao tom mulato, transpirava charme e sedução. Tirei os óculos escuros para que ele percebesse, ao passar por mim, que eu o olhava. Quando chegou perto, percebi que seus olhos miravam os meus. Passei o olhar por todo seu corpo e percebi que ele fez o mesmo. Reduziu os passos e parou ao meu lado.
- Você mora aqui?
- Não. Moro em São Paulo. E você?
- Sou do Mato Grosso, vim para os jogos.

Ele desistiu da corrida e caminhou conversando comigo pela praia. Tirou o tênis e, mesmo reclamando da água gelada, entrou no mar, para tirar o suor do corpo.
O sol apareceu quente, queimando nossa pele. O papo fluía de forma natural. Ele disse ter 32 anos, e trabalhava como orientador. Eu disse apenas “ok”, mas meu olhar completou a frase: “e eu sou o verdadeiro dono da Rede Globo”. Por volta de meio dia, convidei-o para almoçar. Ele aceitou e fomos a um restaurante perto de casa. Ele falou onde estava hospedado e eu concluí que a pousada ficava na rua de trás, bem na direção de minha casa.
Ao terminar o almoço, disse que precisava ir para dar (mais) comida e água ao cachorro. Ele quis conhecê-lo, e levei-o.
Os dois brincaram lá fora, enquanto eu preparava comida e água gelada para o cachorro. Ele, então, veio pra dentro e, ali, sozinhos, ele soltou um elogio a mim:
- Você é muito bonito, inteligente, um homem iluminado.
- Pois sabe que eu penso o mesmo sobre você?

Um abraço, um beijo, e uma tarde de amor em nossa cama. Exaustos, mas felizes, plenos, ele com a cabeça em meu peito, disse:
- Tenho algo sério a falar a você...
O que ele tinha a dizer, eu já sabia. Pensei até que pudesse ser algo mais sério, como dizer que era soropositivo para o HIV, mas tivemos todos os cuidados.
- Eu sou padre.
- Eu sei. Você é muito culto, muito inteligente, muito articulado. Um “orientador” de seu fiel rebanho paroquial.

Ficamos juntos o resto do domingo. Voltamos à praia para levar o cachorro, comemos uma pizza e .ele me fez ligar avisando quando chegasse em casa em São Paulo. Ele ainda ficaria aquela semana toda na praia.
Trocamos mensagens, telefonemas todos os fins de noite. E na sexta-feira, lá estava eu na Rodovia dos Imigrantes rumo à Praia Grande.
No exato instante em que o Padre fechava a conta na pousada.
No fim de semana, o Padre estaria hospedado em meus braços!

domingo, 11 de setembro de 2011

22. O HOMEM CASADO

Eu e Tânia somos mais que amigos. Além de trabalharmos na mesma empresa, que tem unidades espalhadas por São Paulo e pelo país todo, ficamos amigos fora do ambiente corporativo, confidentes. E, claro, parceiros das noitadas.
E numa dessas, ela me comunicou que uma amiga, Vera, iria junto. Tânia nunca entrou em detalhes, mas Vera a incomoda profundamente. E uma das razões é que Tânia serve de escada para seus esquemas. Vera mora em outro estado, mas sempre acompanha o namorado, Cássio, quando ele vem a trabalho a São Paulo. E naquela noite estávamos os quatro na balada.
Ao final, fomos a uma padaria. Vera começou com umas insinuações sobre o fato de eu ter ficado com um cara na balada. Claro que eu não gostei e soltei uma resposta elegantemente atravessada, que constrangeu seu namorado e Tânia.
Dois dias depois, um pedido de amizade no meu facebook. Cássio. Aceitei. Na troca de mensagens inbox, ele pediu meu MSN. E lá conversamos sobre a noite de sábado, ele pediu desculpas por Vera, etc. A conversa foi bacana mas um tanto esquisita. Percebi, nas entrelinhas e entreletras, um interesse acima do normal dele por mim. Liguei o alerta.
Um mês depois, Cássio me avisa que viria de novo a São Paulo. Falei que falaria com Tânia para sairmos, mas ele disse que conseguiu se livrar de Vera, e viria sozinho. Achei estranho aquilo. Mas liguei pra Tânia. Ela ficou perplexa, mas disse que não poderia sair, pois teria uma prova no domingo de algum concurso interno da empresa.
No sábado, fui buscar Cássio no hotel e perguntei onde ele gostaria de ir. Disse que eu era o cicerone, e onde eu fosse, ele iria. Mesmo que fosse a uma balada GLS.
Fomos a um bar GLS. Aí ele me contou sua história. Ele não é namorado de Vera. É amante. Cássio é casado, tem dois filhos, e Vera é um caso seu que ele está louco pra se livrar. Sobretudo porque ela está começando a fazer pressão pra ele largar da esposa. Ainda mais que ela foi transferida para a unidade que ele trabalha. O que Vera não sabe é que ele está de saída para fazer parte de uma diretoria em São Paulo. Nisso toca meu telefone. Era Tânia. Vera não parava de ligar pra ela, desesperada, porque Cássio simplesmente tinha sumido. E Tânia não falou que ele estava em São Paulo.
Perguntei a Cássio se ele não estava constrangido de estar num lugar GLS e aí veio a resposta que me deixou apavorado e ao mesmo tempo com um tesão enlouquecedor: A única pessoa que interessava ali era eu, e que ele gostaria muito de me conhecer melhor, depois que soube que eu era gay.
Atire a primeira pedra quem nunca saiu com um homem casado.
E ter passado a noite com aquele homem que, segundo ele diz (e eu insisto em não acreditar inteiramente), nunca tinha tocado outro homem antes, foi bom demais. Tanto que quando ele vinha a São Paulo, enquanto não saía sua transferência, não ficava mais em hotel, mas na minha casa. E dormia na minha cama.
Claro, contei tudo para Tânia. Com ela não tinha segredos.
E, o mais legal, foi ver a satisfação de Tânia cada vez que Vera vinha lhe jogar um ar superior. Aliás, Vera adorava deixar claro que ela era a tal. A poderosa, a senhora de si. A autoconfiante. A bem sucedida profissionalmente. Mas, o homem dela vinha sempre a São Paulo gozar mais intensamente na minha cama, e não na de Vera.

domingo, 14 de agosto de 2011

21. COMO TRANSFORMAR UM BAR HÉTERO NUM BAR GAY


01. Vá com mais cinco amigos a um bar qualquer, de preferência desses que tenham mesas na calçada.
02. Que todos os amigos tenham internet no celular.
03. Ao chegar ao local, façam check in e publiquem no Facebook.
04. Em hipótese alguma soltem a franga.
05. Tratem bem os garçons, sem jamais passar-lhes cantadas.
06. Comentem sobre acontecimentos envolvendo vocês em alguma balada gay, de modo que as pessoas das mesas próximas escutem (em bares com mesas na calçada ninguém fala baixo). Exemplo: “Lembra aquele porre que você tomou na The Week*?” Mas jamais ousem mencionar as partes picantes.
07. Gastem muito. Ainda que a presença de vocês não seja vista com bons olhos pelos outros frequentadores, o gerente não vai pedir-lhes que deixem o local.
08. Elogiem o local e o atendimento – mesmo que vocês não estejam curtindo muito.
09. Se receberem telefonemas de alguém perguntando onde vocês estão (sinal que não viram o check in no Facebook), chamem-no para ir ao bar.
10. Jamais paquerem alguém que esteja numa das mesas. Como vocês escolheram uma na calçada, olhem alguém que passou de carro. E que todo mundo perceba esta paquera (inclusive o povo da mesa ao lado).
11. Publiquem no Facebook, Twitter e afins que vocês adoraram o local e recomendem-no a todos os seus contatos.
12. Retornem na semana seguinte, ocupem a mesma mesa e repitam tudo o que fizeram. Mas comecem a agitar o encontro (também pelas redes sociais) com uns 2 dias de antecedência.

* The Week: a maior e mais badalada casa noturna gay de São Paulo. Até o mais convicto dos héteros já ouviu falar dela.