quarta-feira, 20 de julho de 2011

17. CAIM E ABEL

Eu namorava havia três anos. Um amor intenso, gostoso, verdadeiro. Aí, num vacilo, minha família ficou sabendo que eu era homossexual e namorava uma mulher.
A casa caiu. Eu já morava no meu apartamento, sozinha. Meu pai parou de falar comigo. Minha mãe, falava só o necessário. E o necessário dela não ia além de grunhidos monossilábicos.
Por incrível que pareça, foi minha irmã que me deu a maior força. Ela é dois anos mais nova que eu, mas tem a turma dela, os amigos dela. Depois do episódio, ela foi o elo de ligação com minha família.
Felizmente, minha namorada esteve ao meu lado e aos poucos fomos quebrando a resistência de meus pais. Eles não eram totalmente receptivos a ela, no entanto, pararam de rejeitá-la. E aos poucos, a paz voltou a reinar em casa. Desta vez, com minha irmã como nossa amiga.
Sou produtora de eventos. Minha namorada é analista de marketing de uma grande empresa, onde trabalha no esquema home working. E foi numa tarde que tive de ir ao Pacaembu, que resolvi passar no apartamento dela.
Logo que cheguei, o porteiro, meu velho conhecido, já mandou que eu subisse. Como tinha a chave, estava tirando-a da bolsa, quando ouvi o som ligado. Ela estava ouvindo meu CD. “Que bom que ela gostou”, pensei enquanto entrava no apartamento. Sim, eu tenho a chave. Percebi que ela estava no banho, foi quando o terror tomou conta de minhas veias, o frio na espinha quase me paralisou. Havia outra mulher tomando banho com ela.
Ao chegar ao banheiro, o terror se transformou em horror. Pelo vidro fosco e molhado do box, eu não podia ser vista. Mas reconheci minha própria irmã com minha namorada. Felizes. Estavam comemorando, justamente naquele dia, seis meses de relacionamento.
Estilhaços de mim caminharam até a porta. Poderia transformar-me numa tigresa enfurecida e acabar com as duas. Com apenas uma lágrima, saí sem ser notada.
Não. Não iria descer ao nível dela. Nada contei. Agi como se estivesse tudo bem.
Até que o porteiro, com sua sede de fofocas e futricas, contasse que tinha aparecido naquela tarde no apartamento dela, eu teria tempo suficiente de preparar minha vingança contra duas das mulheres mais importantes da minha vida. Elas vão se arrepender do dia que resolveram me trair.

7 comentários:

Mauri disse...

Quero continuação!

Alexandre disse...

POR FAVOR EUZER pelos mais injustiçados... dê uma continuação a essa historia....
(irmãzinha feeelaaadapooota)

Raphael Martins disse...

Tenso, mas adorei!!

João Fco. Viégas disse...

Inimigos em familia!

Isso é contraproducente!!

MEDO!

Fred disse...

TEN-SO!!!!
Continuaaaaaaa!

Anônimo disse...

Muito bom, que maninha mais safadeeeenha. A vingança seria um ótimo aprendizado.

Ro Fers disse...

Caraca...
Convivendo com inimigo....