domingo, 24 de julho de 2011

18. OVER (Amy Wine) DOSE

Agradecimentos a Duxty Lykos

Amy Winehouse está morta. A música está de luto. Os fãs, perplexos. Mas, como disse Nelson Mota no Jornal Nacional, “crônica de uma morte anunciada”. Sim. Talentosa ao extremo, uma artista completa, dona de uma voz encantadora e de músicas que conquistaram multidões ao redor do planeta. E de uma intensidade de vida notável. Dentro e, sobretudo, fora dos palcos. E aí me veio a reflexão: quantas Amy Winehouses existem ao nosso redor?
Sim. Quantas vezes não se falou ou ouviu a expressão “viver a vida intensamente”? E o que é viver intensamente?
Cada ser humano pode produzir uma definição diferente para essa pergunta, mas atitudes acabam seguindo um padrão perturbadoramente perigoso em muitos casos. Só para citar um exemplo, o comportamento de pessoas nos seus momentos de lazer.
É impressionante a relação delas com excessos. Quantas vezes encontramos pessoas totalmente alcoolizadas, desprovidas de qualquer discernimento, em nome do tal prazer em viver a vida intensamente?
Pessoas que vivem sentimentos de forma arrebatadora, visceral, e acabam escravas dele. Amam e odeiam com a mesma intensidade de um avião em rota de decolagem. E quase se destroem ao perder o rumo desse amor. E não é apenas o amor entre duas pessoas, mas por coisas, pelo trabalho, por projetos. E se escondem atrás dos alucinógenos, como se fossem morfina injetada no coração.
Ou então, os tímidos, justificando-se como a única maneira de conseguirem se soltar, de mostrar-se para os outros o que têm de melhor, mergulham em cinco, seis copos de vodca com energético? Só para conseguir ter um flerte, um encontro, um beijo ou uma transa? E no dia seguinte, como é que sua conquista irá lidar com o tímido quando o efeito dos barbitúricos tiver passado?
Balinhas, pílulas, maconha, cocaína, crack, oxy, entre tantas, todas associadas a muito álcool, muitos corpos sem camisa bombados em academia ao longo de semanas de muito ferro puxado, ao som eletrizante do psy e afins produzem uma geração de pessoas que sempre precisarão de muletas para poder dar um passo à frente nas relações sociais, muitas vezes imitando comportamentos dos colegas.
Valores tornam-se perigosos a partir do momento em que se deturpam conceitos. A intensidade com que muitos “vivem a vida” pode ser perigosa no exato instante em que se usam de elementos que minimizam a força do caráter e da dignidade humana. Drogas e álcool nunca fizeram bem ao ser humano. E muitos dependem desses dois elementos, muitas vezes combinados, para garantir o sucesso de uma empreitada. Sem se preocupar com o dia seguinte.
São pessoas com pressa. “Pressa de viver”, dizem. E pressa é o elemento que nos motiva a chegar mais rápido ao nosso destino. E cada um elegeu seu destino. Cada um sabe onde quer chegar, e principalmente como e quando. Mas, será que vale a pena atropelarmos nossos próprios princípios para atingirmos as metas que nos impomos?
Porque o único destino que sabemos ser comum a TODOS os seres humanos é... a MORTE.

8 comentários:

Edilson Cravo disse...

Oie tudo bem? Dá uma chegadinha no Lua essa semana. Consegui uma entrevista muito bacana com Luiz André Moresi o primeiro gay a casar-se depois da aprovação da lei pelo STF que concede aos gays o direito a união estável. O casamento repercutiu no mundo inteiro. Bjssss e linda semana.

Alexandre disse...

Gosto de viver a vida intensamente! ( frase de final de semana ) mas será que essa tal "intensidade" se propaga pelo meio da semana aplicada no trabalho na relação com os seus colegas, na família no convívio dos amigos e nos pequenos acontecimentos do cotidiano?
Acabar com a própria vida as poucos virou sinônimo de intensidade? Pelo que vejo estamos fazendo essa triste comparação...
O legal é sim viver a vida como se fosse o último dia de nossas vidas, então corra aquele 1 km que vc tá ensaiando para correr, diz aquele "eu te amo" para as pessoas que vc gosta, trabalhe com paixão não somente pelo dinheiro mas por prazer... enfim.. isso sim é VIVER intensamente!

Edilson Cravo disse...

Voltei (seu pedido é uma ordem...rs)
Realmente a morte da Amy só reflete a realidade de milhões de pessoas de todo o mundo que buscam nas drogas um refúgio sabe-se lá do quê. Lamentável e triste fim de uma das voz mais bonitas da atualidade. Linda semana.

۩ ₪₪ Λύκος Δθχτυ ₪₪ ۩ disse...

A morte da Amy na minha singela opinião nada mais é do que a descarga de uma pessoa que recebeu as mais altas cargas, doses de sabores e dessabores da vida. Viveu intensamente tudo.... Da alegria ao ódio, da simpatia a apatia...enfim do amor ao desprezo. Nenhum ser humano suporta seus sentimentos sem ter uma fuga, uma válvula de escape. Uns comem em demasia, outros compram, outros dormem e no caso dela, escolheu uma fuga garantida dos sentimentos mas com preço alto demais. As drogas.
Muitos morrem todos os dias por conta disso e pouco sabemos por que estão por ai no anonimato do dia a dia.
Ela deixou uma lição pra nós que é viver os sentimentos, por mais que doa, afinal como diz um ditado lá da minha terra (Grécia)

"Sentimentos amordaçados sempre um dia voltam a gritar"

Bjs querido... seu blog é um espetáculo sempre e sempre.

Marcos Campos disse...

Fiquei muito triste também com a morte a Amy !! E sim, vc tem razão, os excessos andam em todos os setores e as pessoas não tem sabido lidar com isso, mas continuam fazendo, o que produz um nº cada vez maior de pessoas viciadas e escravas das drogas e da falsa liberdade que ela causa, tanto que já é um problema de saúde pública. O problema, como vc também disse, é lidar com isso no dia seguinte, no dia seguinte o efeito é o oposto ...mais uma vez é o bendito caminho do meio, o equilibrio que as pessoas não estão achando. Mas pensando bem, com drogas, hão há caminho do meio...
Abraço !!

Fred disse...

Eu só acho que cada um cava sua cova e ninguém tem nada com isso... hehehe! A minha, por exemplo, tá bem funda já! Hehehe! Hugz, man!

Marcelle Gália (Celle) disse...

Penso que ela devia ter algum problema pessoal com o qual não conseguia conviver, pois ninguém se colocaria em uma situação anestésica 24h por dia se houvesse algo muito bom em sua realidade. É uma pena que tenha partido...
bjussssssss

Fabio Cerqueira disse...

Na minha opinião, o que essas pessoas chamam de "viver a vida intensamente", na verdade é uma fuga da vida. Quem consome drogas ou alcool, ou os dois associados, na verdade, busca fugir de uma vida mediocre de que não se orgulha, afinal, quem está satisfeito com a propria vida quer aproveitar dela o mais sóbrio possível, para poder guardar cada momento na memória.

Perdi meu pai por causa do alcool e não desejo a ninguem essa angustia.