sábado, 9 de abril de 2011

ep. 06 - NÃO DEU CERTO?

Estava num bar com um conhecido quando um amigo dele chegou. Fomos apresentados e os dois falaram do fim do relacionamento de sete anos do rapaz.
- E como você está?
- Estou levando, reaprendendo a ser solteiro.
- Toma cuidado, não enfie o pé na jaca.
- To legal. O pior já passou. Pena que não deu certo.
Isso foi assunto para quase a noite inteira de conversa entre mim e meu amigo depois que o rapaz foi embora.
Como assim, “não deu certo”? Um sujeito de uns 35 anos que passa 20% de sua existência ao lado de alguém, dizer que “não deu certo”, é estranho pra mim.
Não foram sete segundos (o tempo de uma troca de olhares), sete minutos (o tempo de um flerte), sete horas (o tempo de uma noite), sete dias (o tempo de um test drive), sete semanas (o tempo de um rolo) ou sete meses (o tempo de um namorinho). Foram S-E-T-E anos.
E em sete anos, quantos presentes de dia dos namorados eles trocaram?
Quantos chocolates na páscoa?
Quantas noites dormiram de conchinha?
Quantas vezes um cuidou do resfriado ou da gripe do outro?
Quantos filmes viram um apoiado no ombro do outro no cinema?
Quantos DVDs assistiram deitados na cama ou no sofá da sala?
Quantas vezes aplaudiram em pé os atores da peça de teatro que viram juntos?
Quantas vezes viajaram juntos?
E ao volante, quantas vezes um acariciou os cabelos ou a perna do outro enquanto este dirigia?
Quantos Natais trocaram presentes?
Quantas vezes curtiram o sol numa praia?
Quantas vezes almoçaram na casa das mães?
Quantas vezes foram ao supermercado comprar ingredientes para o jantar que um fez para o outro?
Quantas noites dormiram de conchinha?
Quantas vezes tomaram banho juntos?
Quantas vezes o esperma de um esteve dentro do corpo do outro, como a mais profunda prova de confiança e amor?
E, falando em amor, quantas vezes disseram “Eu te amo”?
Claro que o relacionamento deu certo sim. Durante sete anos deu certo. Não acredito que eles tenham percebido que seria difícil nos primeiros dias e tentado tanto tempo consertar. Ninguém tem essa paciência quando existe incompatibilidade.
Infelizmente o ser humano tem uma predisposição a valorizar situações erradas em sua vida. Como se fosse exigido que tudo fosse sempre do jeito que gostaríamos que fosse o tempo todo. Por isso, uma tendência muito grande, quando se pensa em relacionamentos passados, sempre deixar vir à cabeça o fim, o término, o sofrimento.
Eu faço parte deste grupo de pessoas, mas estou tentando ser menos cruel comigo mesmo.
Tentando não fazer do término dos relacionamentos anteriores, o portal para as boas lembranças do que vivemos durante o tempo que namoramos. Dar mais valor a tudo que marcou positivamente. Afinal, como cantou a banda Titãs: “Não tenho tempo a perder, só quero saber o que pode dar certo”.

15 comentários:

Rodrigo disse...

Nossa, ótimo teu texto.

Raphael Martins disse...

Me identifiquei muito com essa postagem. Tô seguindo seu blog. Grande abraço!!

Cara Comum disse...

Também penso assim...

Abração!

CIELLO disse...

queridão, obrigado pela visita, pelo comentário e por compartilhar emoções e sentimentos aqui no seu blog, que de fato, entrou na minha lista de visitas diárias e de favoritos nas crônicas!

você falou tudo.. temos a tendência a valorizar o erro e não comentar o acerto... De fato.. 7 anos.. porra... eu quero um assim tb.... Deu muito certo mesmo! Eu tive vários namoricos e alguns namoros... 3 anos foi o mais recente. E foi bom enquanto durou... hoje é meu amigo... e tranquilamente estamos resolvidos quanto a isso!

Um super abraço. cativado pelo seu blog!!! bjo.

Anônimo disse...

Excelente!!!!! Parabéns e sucessos!!!
Grande abraço!!
Marcos Anthony

Candy disse...

Eu pensava dessa maneira. De qualquer forma, eu nunca tive um relacionamento muito longo, mas sei o suficiente que nesses casos duradouros, pelo menos uma das partes quer que seja eterno. Em alguns casos, eterno significa apenas muito tempo.

Bjs

Dan disse...

A questão é que o ser humano sempre espera que tudo de bom seja 'pra sempre', pra sempre é muito tempo em todas as situações.

Gostei muito do texto, me fez pensar sobre um relacionamento que tive e fiquei igual a pessoa desse post. Me identifiquei hehe.

Fred disse...

Às pessoas tem umas formas bem estranhas - e bem próprias - de encarar e interpretar as coisas, né?
Adorei o texto!
Hugz!

Claudia Alves disse...

Confesso que nunca tinha parado pra pensar da forma que você se propôs a pensar nesta situação. E olha que já vi de perto isso acontecer com amiga, amigo, primos.
Sabe, relacionamentos vem e vão e tudo que você busca neles e que dê certo, que seja eterno.
a pessoa se torna parte da sua vida e você passa a fazer tanta coisa junto e cada momento é uma delícia. Mas ninguém tem a garantia da eternidade.
Deu certo durante sete anos e foi eterno enquanto durou. As coisas boas ficam, se acabou, bom... o que se pode fazer? Mas concordo com você...deu certo sim.
http://www.claudiaalvesinteriores.blogspot.com/

Mariana disse...

A gente tem mesmo esse péssimo hábito!

Adorei... ;)

Lobo disse...

Que seja feliz enquanto dure, não é assim que dizem? Só porque acabou não pode ter sido bom enquanto durou? Assim como você, creio que não.

Um beijo!

Carlos Roberto disse...

E como diz nosso senhor Vinicius “Que seja eterno enquanto dure”. Tempo, Óh! Tempo. Senhor dos miseráveis, morte para os poetas e psicopata para os humanos... Na verdade, meu caro amigo, tenho de ser sincero consigo. Somos ingratos e nada mais. Pois quando temos a mão queremos o braço e por medo do acaso nos prendemos num pequeno espaço... Acomodados? Sempre! Ai de quem diga que não... Mudar? Esta aí a eterna dor dos apaixonados... Tudo foi lindo enquanto era vivenciado... Comentários? Vários! Duvido que não há um amigo que não esteja sabendo daquele beijo roubado, aquela situação de “pegação” na balda... Duvido! Mas quando o monótono – monótono sim, pois é sempre a mesma pessoa (situação é situação) – é abalado, ih... Lá vem o drama... É choro pra lá, choro pra cá, depressão, terapia, pegação... L A M E N T A Ç Ã O. É difícil encontrar poemas sobre términos de namoro... Não tem graça... Cai na mesmice... Mas, olha quantos de iniciação! De duração?! É... Quando o homem aprender a valorizar o passado, saberá viver seu presente e sempre deixar o futuro para o amanhã.

Daniel disse...

Eu aprendi só que é bom vale a pena ser lembrado

Latinha disse...

Ponto ponto o que você levantou né?! Poxa... 7 anos não foram 7 dias...

Meditar eu irei!

Ro Fers disse...

Caraca!
Realmente 7 anos não é pra qualquer um...
Só restam as lembranças, como tudo na vida tem seu fim...
forte abraço!