domingo, 24 de abril de 2011

ep. 08 - UMA FILHA PRA CHAMAR DE MINHA

Foi numa balada em São Paulo que André e Vagner se conheceram. A troca de olhares, seguida de um papo, beijos e a noite na cama de Vagner. Aos despedir-se, sabiam que aquele tinha sido apenas o primeiro encontro.
E houve muitos, onde permitiram que o encantamento se transformasse em paixão. Vagner aceitou o pedido de namoro de André.
O namoro fortalecia a cada dia, a cada beijo. André tinha perdido os pais há algum tempo foi recebido como filho na família de Vagner. Só o irmão de André não o aceitava. Pouco tinha contato. Ainda mais depois que o irmão casou e teve filhos.
André e Vagner eram mais que companheiros, eram parceiros, cúmplices. Seja para um filme a dois no sofá quanto a uma noitada de baladas que só ia terminar depois do meio dia num dos muitos after que aconteciam pela cidade. Em dois anos, estavam morando juntos num amplo apartamento comprado por André, no bairro das Perdizes.
Combinaram as férias para viajar juntos, embora a arquitetura os levasse para Ilhas Gregas, Ibiza, Inglaterra, Caribe, Malásia, África do Sul. Conheceram o mundo. Até se sentirem prontos para aumentar a família.
A batalha judicial foi ganha e Mariana, com dois anos, foi adotada. E desde cedo foi acostumada a ter dois pais e a conhecer o que era o homossexualismo. Isso foi fundamental para que ela se safasse de algumas atitudes de bullying na escola. Desde pequena se safou de ser chamada de filha de duas bichas na escola onde conseguiu estudar, já que muitos grandes colégios não a aceitaram por ser filha de dois pais.
A festa de 15 anos de Mariana foi num dos buffets mais tradicionais de São Paulo e rendeu até seis páginas na revista Caras.
Aos 18, Mariana entra na USP. Contrariando os pais, ela vai estudar Psicologia e se especializa em Psicologia Comportamental Familiar, sendo aprovada com louvor e méritos, para orgulho de Vagner e André. Na valsa, metade da música Mariana dançou com André para, em seguida, ir para os braços de Vagner. Os presentes se encantaram. E no baile que conheceram Juarez, o namorado de Mariana. Foi quando o ciúme que sentiram da filha mostrou a eles que ela havia se tornado uma bela mulher.
De início os pais de Juarez não foram simpáticos àquele relacionamento, mas bastou conhecer os pais de Marina no jantar de noivado para saberem que o filho seria marido de uma mulher maravilhosa, de educação exemplar e, acima de tudo, digna.
E foi assim, tal qual a escola, depois de muita recusa, o casamento foi realizado numa igreja do Centro de São Paulo. E na entrada da noiva, poucos prestaram atenção à marcha nupcial, já que Mariana entrou abraçada aos dois pais, sendo aplaudida pelos convidados às lagrimas da porta ao altar.
Nas próximas férias, tal qual a música “Eduardo e Mônica”, da banda Legião Urbana, André e Vagner não vão viajar. Estarão babando o neto Vagner André que acaba de nascer.

Até quando esta estória será apenas ficção?

12 comentários:

CIELLO disse...

a grande transformação está por vir com as novas gerações que se acostumaram com o "sair" do armário, cada vez mais cedo de colegas. A exposição tem reflexos positivos e negativos. Somos reconhecidos e também somos agredidos. Mas nunca jogados num canto como escória que se deva deixar de lado na história. Atuação pública e abertura de mentalidades vem chegando. Contudo, nem tudo são flores como no conto. Nem todos os gays desfrutam de condições financeiras e sonhos tão fáceis de se realizar. Resta saber se a realidade pode ser a mesma para quem tenha ou não tenha tantos recursos, mas ai entraremos noutra discussão a respeito do preconceitos dentro do proprio grupo que o sofre... e tem muito.

Candy disse...

Eu conheço duas histórias assim. Bom, não EXATAMENTE assim, mas nesse gênero. Dois casais (um de lésbicas e um de gays) que se casaram e adotaram filhos. Pro casal de lésbica em questão foi mais fácil. Tiveram duas belas meninas. O casal de gays conseguiu adotar um filho. Até onde eu saiba eles vivem felizes e as crianças ainda são pequenas.

Acredito que muitos gays também não tem vontade de formar família ou algo do tipo. Isso é muito particular. Eu por exemplo não pretendo. Pelo menos não agora. Só tenho 19 anos e acho que ainda tenho muito para viver e conquistar antes de pensar em formar família. :p

Bjs

João Fco. Viégas disse...

O bom é que começa a deixar de ser ficção!
Cada dia mais e mais...

Edu disse...

Estou com o João. E pelo menos no Modern Family ser filha de pais gays é ser disputada a tapa nas escolas, que querem bancar de modernas. :-) Quem sabe o dia esteja chegando?

Lobo disse...

Mas hein Edu, nem acho que isso de ser disputada por escolas que querem pagar de modernas seja bom. O ideal seria a criança estudar e ser tratada como qualquer outra em qualquer escola, mas né?

Um dia a gente chega lá.

Carlos Roberto disse...

Lamento informar que essa história será sempre ficção, pois a crônica é um gênero literário e por isso jamais se tornará realidade, já que o objetivo desses textos é recriar, a partir de um modelo, a realidade. Friso que em nenhum momento há a intenção de imitá-la.

Depois desse argumento meio nerd-estudante de letras, penso que este exemplo é algo já praticável, mas com dificuldade, por um certo numero de indivíduos. A adoção é algo maravilhoso, a aceitação é algo penoso, e a convivência com todos os prós e contras é destruidora. Pensemos que nem mesmo os casais heteros andam possuindo estrutura para a criação de um filho o que dirá os casais gays que além de todos os possíveis problemas que os heteros passam ainda ganham de brinde o preconceito.

Acredito que esta situação descrita pela crônica não seja futura e sim presente, porém o que devemos nos perguntar é se realmente os casais estão preparados para assumirem esse compromisso e ao adotá-lo servirem como exemplo de boa estrutura familiar, pois se isso não ocorrer é mais um argumento para os preconceituosos usarem contra tal atitude.

Deixo uma pergunta no ar: Por que tamanho preconceito com relação à adoção de crianças por parte de casais homossexuais se as próprias mães jogam seus vinhos em caçambas de lixo e saem como se tivessem se livrando das fezes do cachorro? – Em qual situação a criança teria uma estrutura familiar saudável?

A vida não é justa, o mundo mais ainda e as pessoas o triplo da soma de ambos.

Marcos Campos disse...

Tá dificil, mas anda se falando muito no assunto hoje em dia...e quanto mais se fala, mais de desmistifica o assunto. O caminho é dificil, mas é assim que funciona, graças a um monte de caras que meteram as caras, que hoje conseguimos a liberdade que temos hoje...
Muito legal o post !!
Abraço !

Fred disse...

Papo sério esse. Me abstenho. Verdade seja dita: ainda só posso ser filho. Mas o tempo dirá... Hugzzz!

Ana Claudia disse...

Só que ainda existe muito preconceito...
Bela história
Até mais!!!

http://dedeaninha.blogspot.com/

Ana Claudia disse...

rsrsrs é eu sei bem como queima calorias, pois tbm pratico esse tipo de exercício... vc viu a foto da Raica no meu perfil? é ela minha personal
Até mais!!!

david era uma vez... disse...

Acredito que tudo va acontecer mais rápido do que imaginamos... Basta ver que 10 anos atras tudo era muito mais dificil do que hoje. O salto foi enorme, acho que em 5 anos as coisas melhorarão muito mais...
Espero muito mesmo!! quero ver muitas historias dessas

Abraços meu querido...

railer disse...

muito linda a história e agora a ficção já começa a ser realidade com a união homoafetiva.