São Paulo, segunda, 19h.
Rogério goza. Exausto, deita ao lado de Felipe. Nota que ele não gozou.
- Meu namorado vai dormir em casa hoje.
***
São Paulo, segunda, 23h.
Agora sim, Felipe gozou, junto com Bruno. Ficaram abraçados, relaxados, durante algum tempo. Até que Bruno comentou:
- Amanhã à noite vou pro Rio. Voltarei na quinta.
- Ficarei com saudades.
- Vai se encontrar com Rogério?
***
São Paulo, terça, 21h.
Felipe volta do aeroporto e encontra Rogério aguardando-o. Sobem. Enquanto Felipe toma um banho, Rogério observa as fotos de Felipe e Bruno espalhadas por vários porta retratos: na parada gay, no carnaval de Salvador, réveillon de Copacabana, em Ilhabela, Campos do Jordão, churrasco de amigos.
***
Rio de Janeiro, terça, 22h30
- Felipe, cheguei ao Rio. Estou indo ao hotel. Tudo bem por aí, meu amor?
Em seguida, faz outra ligação:
- Pedro, Bruno. Tudo bem? Estou no Rio. Quer jantar comigo amanhã?
***
São Paulo, quarta, 18h.
Felipe recebe um telefonema:
- Saí agora do trabalho (...) Bruno está no Rio (...) passa em casa. Saudades de você, gostoso.
***
Rio de Janeiro, quarta, 22h.
- E seu namorado, continua saindo com aquele cara?
- Eles se encontram às vezes, Pedro.
- Você já contou pra ele sobre nós, Bruno?
- Não. Na hora que eu achar que devo, SE achar que devo, conto.
***
São Paulo, quarta, 22h.
- Você está em casa, Rogério?
- Não, eu saí - mente.
- É que eu estou aqui embaixo, estou vendo a luz do seu quarto acesa.
- Devo ter esquecido de apagar.
- Mas saiu à pé? Seu carro está na garagem.
- Sim, estou num bar aqui perto.
- Quer que eu vá aí?
- Estou com o pessoal do trabalho. Vou chegar cansado. A gente se vê amanhã.
Desligaram.
- Quem era, Felipe? O namorado?
- Não, um amigo.
***
São Paulo, quinta, 20h.
Felipe vai buscar Bruno no aeroporto.
- Deu tudo certo no Rio?
- Foi ótimo. O processo foi um sucesso.
- Senti saudades suas, meu amor.
- Também. Estou cansadão, mas hoje eu quero você! Pediu a pizza?
- Sim, pra gente comer na cama...
domingo, 9 de setembro de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
27. "ONDE SE GANHA O PÃO...
... não se come a carne”. Já dizia o velho ditado. Mas vai dizer isso pra glande? Essa cabeça nada pensante que só se mete (ui!) em encrenca e confusão.
Giovanna saiu de licença maternidade. Seis meses mais as férias. Nosso chefe me promoveu, temporariamente, a encarregado, e trouxe Renato do almoxarifado. Ele era estudante de publicidade e iria ocupar, pelo menos naqueles sete meses, minha vaga.
Renato tinha conhecimento zero e vontade dez de aprender. Durante o primeiro mês, procurei ensinar tudo a ele. Meu chefe até ficou surpreso com meus conhecimentos. Renato tornou-se minha sombra naquele escritório.
E era um rapaz muito, muuuuuuuuito bonito. Gostoso. Moreno, cerca de um metro e oitenta, bunda bem redonda sempre dentro da calça jeans, um estilo bem normal e simples de vestir-se e agir. Reservado em sua vida pessoal, às vezes atendia ao telefone. Falava com o “mor”. Com o tempo, percebi que deixou de referir-se a ela por esse apelido carinhoso.
No terceiro mês da licença, o chefe me chama para a bomba: Giovanna decidiu não voltar para a empresa. Pedira demissão. Ele, então, ofereceu o cargo de encarregado a mim (aceitei) e o de assistente a Renato.
Passamos a almoçar juntos com maior freqüência, e Renato, sempre reservado em sua vida, um dia resolveu abrir o jogo. Havia rompido o namoro. Estava meio pra baixo, mas aliviado. Sentia-se pressionado a formalizar a união, ao mesmo tempo em que sua vida social se resumia a cinema, um ou outro restaurante, uma ou outra lanchonete. Amigos, sumiram. Apesar de ter de começar do zero, e também da tristeza e do vazio, tinha disposição de sobra para isso.
Não vou negar que até esse dia, achava que o tal “mor” de Renato era, na verdade, um homem. E também não nego que sentia um puta tesão por ele. Quantas punhetas tinha dedicado a ele em meus banhos em casa? Mas, enfim, era hétero. E como tal, deveria continuar. Gay só investe num hétero se houver, ainda que microscópica, uma chance. E eu não a enxergava nem com o mais potente microscópio.
Num fim de semana convidei-o a sair comigo. Ele ficou radiante, aceitou antes que eu terminasse o convite. Começamos por um bar e esticamos a uma balada. Lá pelas tantas, eu estava trocando olhares com um cara e nos encontramos no banheiro. Quando voltei para a pista, Renato estava de cara fechada.
O clima no trabalho estava pesado. Renato, que era minha sombra, ficava distante. Numa tarde em que o chefe tinha ido a uma reunião fora, puxei assunto. Eis que fui surpreendido pela bomba: Renato tinha notado minha paquera com o rapaz na boate. Não havia ficado chateado com a descoberta, mas triste por que ele é quem queria ser paquerado por mim. Ali, naquele escritório, naquela tarde, Renato dava seu primeiro beijo na boca de um homem.
Nosso namoro, ainda que secreto na agência, evoluiu, o tempo passou. Renato formou-se no final do ano seguinte, e a descoberta de ser gay talvez provocasse nele o desejo de viver novas e muitas experiências. Eu já tinha passado por aquilo. Fui capaz de entender, mas não evitar o sofrimento pelo fim do nosso namoro. Renato deixou a cidade e veio morar em São Paulo.
Dois anos depois, percebi que eu mesmo tinha ficado maior que aquela agência e aquela cidade. Consegui um emprego no Ibope em São Paulo. Sou diretor de pesquisas e trabalho na área de relacionamento com empresas.
Encontrei Renato em algumas baladas. Está bem diferente. Roupas e cabelos num estilo mais fashion, sempre acompanhado de muitos amigos e muita bebida. Descobri também que é um diretor de arte e design de uma das agências de propaganda que estão em minha carteira de clientes. Em minhas visitas a ela, ele finge não me ver, mas percebo que o canto de seu olhar me procura. Não sei se constrangido pelo fim do namoro ou se um desejo de um revival.
Quanto a mim, “águas passadas não movem moinhos” nem matam a sede. E eu tenho sede. Sede de viver, sede de seguir em frente. Sede de ser feliz. Sede que vou saciar bebendo outras águas. Não as águas do tempo de Renato. Por ele, a última água foi a das lágrimas. A vida segue. E a minha, certamente, tem um longo caminho de sede, de águas... E também de lágrimas, por que não?
Giovanna saiu de licença maternidade. Seis meses mais as férias. Nosso chefe me promoveu, temporariamente, a encarregado, e trouxe Renato do almoxarifado. Ele era estudante de publicidade e iria ocupar, pelo menos naqueles sete meses, minha vaga.
Renato tinha conhecimento zero e vontade dez de aprender. Durante o primeiro mês, procurei ensinar tudo a ele. Meu chefe até ficou surpreso com meus conhecimentos. Renato tornou-se minha sombra naquele escritório.
E era um rapaz muito, muuuuuuuuito bonito. Gostoso. Moreno, cerca de um metro e oitenta, bunda bem redonda sempre dentro da calça jeans, um estilo bem normal e simples de vestir-se e agir. Reservado em sua vida pessoal, às vezes atendia ao telefone. Falava com o “mor”. Com o tempo, percebi que deixou de referir-se a ela por esse apelido carinhoso.
No terceiro mês da licença, o chefe me chama para a bomba: Giovanna decidiu não voltar para a empresa. Pedira demissão. Ele, então, ofereceu o cargo de encarregado a mim (aceitei) e o de assistente a Renato.
Passamos a almoçar juntos com maior freqüência, e Renato, sempre reservado em sua vida, um dia resolveu abrir o jogo. Havia rompido o namoro. Estava meio pra baixo, mas aliviado. Sentia-se pressionado a formalizar a união, ao mesmo tempo em que sua vida social se resumia a cinema, um ou outro restaurante, uma ou outra lanchonete. Amigos, sumiram. Apesar de ter de começar do zero, e também da tristeza e do vazio, tinha disposição de sobra para isso.
Não vou negar que até esse dia, achava que o tal “mor” de Renato era, na verdade, um homem. E também não nego que sentia um puta tesão por ele. Quantas punhetas tinha dedicado a ele em meus banhos em casa? Mas, enfim, era hétero. E como tal, deveria continuar. Gay só investe num hétero se houver, ainda que microscópica, uma chance. E eu não a enxergava nem com o mais potente microscópio.
Num fim de semana convidei-o a sair comigo. Ele ficou radiante, aceitou antes que eu terminasse o convite. Começamos por um bar e esticamos a uma balada. Lá pelas tantas, eu estava trocando olhares com um cara e nos encontramos no banheiro. Quando voltei para a pista, Renato estava de cara fechada.
O clima no trabalho estava pesado. Renato, que era minha sombra, ficava distante. Numa tarde em que o chefe tinha ido a uma reunião fora, puxei assunto. Eis que fui surpreendido pela bomba: Renato tinha notado minha paquera com o rapaz na boate. Não havia ficado chateado com a descoberta, mas triste por que ele é quem queria ser paquerado por mim. Ali, naquele escritório, naquela tarde, Renato dava seu primeiro beijo na boca de um homem.
Nosso namoro, ainda que secreto na agência, evoluiu, o tempo passou. Renato formou-se no final do ano seguinte, e a descoberta de ser gay talvez provocasse nele o desejo de viver novas e muitas experiências. Eu já tinha passado por aquilo. Fui capaz de entender, mas não evitar o sofrimento pelo fim do nosso namoro. Renato deixou a cidade e veio morar em São Paulo.
Dois anos depois, percebi que eu mesmo tinha ficado maior que aquela agência e aquela cidade. Consegui um emprego no Ibope em São Paulo. Sou diretor de pesquisas e trabalho na área de relacionamento com empresas.
Encontrei Renato em algumas baladas. Está bem diferente. Roupas e cabelos num estilo mais fashion, sempre acompanhado de muitos amigos e muita bebida. Descobri também que é um diretor de arte e design de uma das agências de propaganda que estão em minha carteira de clientes. Em minhas visitas a ela, ele finge não me ver, mas percebo que o canto de seu olhar me procura. Não sei se constrangido pelo fim do namoro ou se um desejo de um revival.
Quanto a mim, “águas passadas não movem moinhos” nem matam a sede. E eu tenho sede. Sede de viver, sede de seguir em frente. Sede de ser feliz. Sede que vou saciar bebendo outras águas. Não as águas do tempo de Renato. Por ele, a última água foi a das lágrimas. A vida segue. E a minha, certamente, tem um longo caminho de sede, de águas... E também de lágrimas, por que não?
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
26. VOU DE TÁXI
Aquele era meu primeiro sábado pós fim do namoro. Eu ainda carregava alguns resquícios de tristeza e aquela noite queria, pelo menos, me sentir desejado. Escolhi ir para uma das baladas mais concorridas de São Paulo. E resolvi que iria beber. Ou seja, não fui de carro.
Ainda bem que algum resquício de bom senso foi comigo pra noite. O som, eletrônico, me dava dor de cabeça. Aquele monte de homens sem camisa (ainda que fizesse uns 10 graus na madrugada), desfilando suas tatuagens e músculos de muito ferro na academia e “docinhos” correndo soltos, me fez querer voltar pra casa. Eram pouco antes de 2 da manhã. Decididamente a caipirinha que eu tomava não iria cair bem se eu continuasse ali.
Paguei, saí e fui à pé até a Avenida Pompéia, cerca de 500 metros dali. Aguardei o primeiro táxi que passasse, o que não demorou muito.
Indiquei onde queria ir para aquele belo moreno de uns 30 e poucos anos. Logo de cara ele perguntou se a balada não estava legal. Falei que aquele não era meu ambiente, eu curtia uma coisa menos expositiva e um som mais cantante e menos psicodélico. Ele também falou um pouco sobre sua vida.
Gustavo tinha 34 anos, solteiro, morava com a mãe na zona norte. Estava juntando um dinheiro para terminar a casa e sair do aluguel. Tinha comprado e quitado o táxi, mas não tinha ponto. Rodava à noite aos finais de semana para ganhar mais dinheiro. Estava solteiro e sua próxima meta era voltar a trabalhar durante o dia e encontrar alguém que preenchesse seu coração.
Reparei que ao chegar à Avenida Doutor Arnaldo, ele imprimiu uma menor velocidade à Meriva. Minha curiosidade permitiu questionar e ele disse que estava se sentindo à vontade de conversar comigo e queria prolongar aquela conversa nem que fosse por alguns minutos somente. Enrubesci com aquele inesperado comentário.
Na Avenida Paulista, notei que ele tomou os últimos goles de água da garrafa que trazia enquanto, ao mudar de marcha (parecia até clichê de filme barato), seus dedos esbarraram em minha calça e eu nem a tirei da posição. A partir daí, entre a segunda e a terceira marcha, sentia seus dedos me tocando.
Estacionou o táxi em frente de meu prédio por volta de 2 da manhã. A corrida do bairro da Lapa até os Jardins não passou de 45 reais (e eu achava que seria bem mais que isso). Entreguei uma nota de 50. Aí ofereci a ele reabastecer sua garrafa de água. E não é que ele aceitou? Convidei-o a subir ao meu apartamento.
Aquela noite Gustavo não deve ter faturado tanto. Pois foi embora de meu apartamento eram sete horas da manhã. E antes que eu imaginasse, ele passou a trabalhar durante o dia somente. E eu passei a ajudar na compra de móveis novos para a casa nova de Gustavo que ficou pronta depois de três meses.
Voltei àquela balada apenas uma vez. Com Gustavo. E no meu carro. Assim como eu, não gostou do som que rola lá. No nosso aniversário de um ano de namoro, em duas semanas, comemoraremos numa das baladas que eu gosto de ir e que ele também gostou de conhecer.
Ainda bem que algum resquício de bom senso foi comigo pra noite. O som, eletrônico, me dava dor de cabeça. Aquele monte de homens sem camisa (ainda que fizesse uns 10 graus na madrugada), desfilando suas tatuagens e músculos de muito ferro na academia e “docinhos” correndo soltos, me fez querer voltar pra casa. Eram pouco antes de 2 da manhã. Decididamente a caipirinha que eu tomava não iria cair bem se eu continuasse ali.
Paguei, saí e fui à pé até a Avenida Pompéia, cerca de 500 metros dali. Aguardei o primeiro táxi que passasse, o que não demorou muito.
Indiquei onde queria ir para aquele belo moreno de uns 30 e poucos anos. Logo de cara ele perguntou se a balada não estava legal. Falei que aquele não era meu ambiente, eu curtia uma coisa menos expositiva e um som mais cantante e menos psicodélico. Ele também falou um pouco sobre sua vida.
Gustavo tinha 34 anos, solteiro, morava com a mãe na zona norte. Estava juntando um dinheiro para terminar a casa e sair do aluguel. Tinha comprado e quitado o táxi, mas não tinha ponto. Rodava à noite aos finais de semana para ganhar mais dinheiro. Estava solteiro e sua próxima meta era voltar a trabalhar durante o dia e encontrar alguém que preenchesse seu coração.
Reparei que ao chegar à Avenida Doutor Arnaldo, ele imprimiu uma menor velocidade à Meriva. Minha curiosidade permitiu questionar e ele disse que estava se sentindo à vontade de conversar comigo e queria prolongar aquela conversa nem que fosse por alguns minutos somente. Enrubesci com aquele inesperado comentário.
Na Avenida Paulista, notei que ele tomou os últimos goles de água da garrafa que trazia enquanto, ao mudar de marcha (parecia até clichê de filme barato), seus dedos esbarraram em minha calça e eu nem a tirei da posição. A partir daí, entre a segunda e a terceira marcha, sentia seus dedos me tocando.
Estacionou o táxi em frente de meu prédio por volta de 2 da manhã. A corrida do bairro da Lapa até os Jardins não passou de 45 reais (e eu achava que seria bem mais que isso). Entreguei uma nota de 50. Aí ofereci a ele reabastecer sua garrafa de água. E não é que ele aceitou? Convidei-o a subir ao meu apartamento.
Aquela noite Gustavo não deve ter faturado tanto. Pois foi embora de meu apartamento eram sete horas da manhã. E antes que eu imaginasse, ele passou a trabalhar durante o dia somente. E eu passei a ajudar na compra de móveis novos para a casa nova de Gustavo que ficou pronta depois de três meses.
Voltei àquela balada apenas uma vez. Com Gustavo. E no meu carro. Assim como eu, não gostou do som que rola lá. No nosso aniversário de um ano de namoro, em duas semanas, comemoraremos numa das baladas que eu gosto de ir e que ele também gostou de conhecer.
domingo, 4 de dezembro de 2011
25. SER GAY É... (parte 2)
21. Ter de sussurrar ao telefone no trabalho, conversando com um amigo ou namorado, para que não se ouça a conversa, enquanto o colega da baia ao lado fala no dele pra toda empresa escutar: “E aí gostosa, vamos num motelzinho hoje?”
22. Ter de ser masculinos e acima de qualquer suspeita, mas soltar a franga com os amigos mais íntimos.
23. Ter de entender e achar muito legal umas expressões e gírias indecifráveis como: “uó”, “alibã”, “edi”, “aquendar”, etc.
24. Ter o celular mais moderno do mercado com câmera digital e internet pra tirar foto da balada com os amigos e colocar no facebook. Em tempo real. E o programa Grindr instalado, com uma foto que mostra o peito (não precisa mostrar o rosto).
25. Ter um secador de cabelos no banheiro.
26. Ter de ser educadíssimos.
27. Ter de falar inglês... viado que não sabe Inglês é considerado analfabeto. E também falar outros dois idiomas fluentemente, ainda que não fale e escreva o Português corretamente.
28. Tem de considerar uma ideia interessante transar a 3, a 4, a 7, a 23, a 42, etc, mesmo que não faça.
29. Ter pelo menos 2 namorados por ano, e cada namoro deve durar de 2 a 3 meses.
30. Ter de ser infiéis. E negar a infidelidade até a morte.
31. Ter de gostar de música eletrônica, mesmo que seja irritante e dê dor de cabeça.
32. Tem de saber conversar sobre política, religião, artes, filosofia, fofoca... menos sobre esportes.
33. Ter de fingir que se vai à Parada Gay pela causa e não pela pegação.
34. Ter de gostar de toda cantora americana peituda de cabelo alisado que grita mais do que canta.
35. Ter de aturar a pergunta de mamãe ou de vovó em toda reunião familiar: “quando você vai arrumar uma noiva, filhinho?”
36. Ter de ser bom de cama.
37. Ter de ter cabelo bom... se não for bom, que seja arrumado. De preferência, no gel.
38. Ter de ir ao Salão de Beleza, nunca ao Barbeiro.
39. Ter de ser inteligentes.
40. Ter de parecer cultos. Nem que a cultura seja a de uma revista Caras.
Se você quer conhecer os vinte primeiros itens, clique aqui. E aguarde, que em breve serão mais vinte.
22. Ter de ser masculinos e acima de qualquer suspeita, mas soltar a franga com os amigos mais íntimos.
23. Ter de entender e achar muito legal umas expressões e gírias indecifráveis como: “uó”, “alibã”, “edi”, “aquendar”, etc.
24. Ter o celular mais moderno do mercado com câmera digital e internet pra tirar foto da balada com os amigos e colocar no facebook. Em tempo real. E o programa Grindr instalado, com uma foto que mostra o peito (não precisa mostrar o rosto).25. Ter um secador de cabelos no banheiro.
26. Ter de ser educadíssimos.
27. Ter de falar inglês... viado que não sabe Inglês é considerado analfabeto. E também falar outros dois idiomas fluentemente, ainda que não fale e escreva o Português corretamente.
28. Tem de considerar uma ideia interessante transar a 3, a 4, a 7, a 23, a 42, etc, mesmo que não faça.
29. Ter pelo menos 2 namorados por ano, e cada namoro deve durar de 2 a 3 meses.
30. Ter de ser infiéis. E negar a infidelidade até a morte.
31. Ter de gostar de música eletrônica, mesmo que seja irritante e dê dor de cabeça.
32. Tem de saber conversar sobre política, religião, artes, filosofia, fofoca... menos sobre esportes.
33. Ter de fingir que se vai à Parada Gay pela causa e não pela pegação.
34. Ter de gostar de toda cantora americana peituda de cabelo alisado que grita mais do que canta.
35. Ter de aturar a pergunta de mamãe ou de vovó em toda reunião familiar: “quando você vai arrumar uma noiva, filhinho?”36. Ter de ser bom de cama.
37. Ter de ter cabelo bom... se não for bom, que seja arrumado. De preferência, no gel.
38. Ter de ir ao Salão de Beleza, nunca ao Barbeiro.
39. Ter de ser inteligentes.
40. Ter de parecer cultos. Nem que a cultura seja a de uma revista Caras.
Se você quer conhecer os vinte primeiros itens, clique aqui. E aguarde, que em breve serão mais vinte.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
24. JOGO DA VERDADE

A garrafa girou caprichosamente, passando por mim, pela Dani(ela), pela Márcia, pelo Ale(ssandro), por sua namorada Gi(sele), pelo Bruno, pela Bia, pela Fa(biana) e parou em mim. Seria eu a perguntar. Resolvi jogar o dado: números ímpares, verdade. Números pares, desafio. O dado mostrou o número 4. Girei a garrafa de novo. Parou na Dani.
Lancei o desafio. Os seis restantes se alinharam e pedi que Dani jogasse o dado. Em quem o dado apontasse, ela teria de lamber um dos mamilos. Parou no número da Gi. Alê não gostou muito, mas deixou que Dani lambesse o mamilo da namorada. Como eu não disse se era com ou sem roupa, valeu que Gi não tirasse a blusa. Desafio cumprido e a certeza que a vingança viria, mais cedo ou mais tarde.
Algum tempo depois, a garrafa parou na Dani. Ela olhou pra mim e pegou o dado. Seis! E, já antevendo a bomba, esperei a garrafa parar apontada para mim para cumprir o desafio. E confesso que me assustei quando Dani pediu que eu escolhesse um dos homens do jogo para dar um beijo na boca e que não fosse selinho.
Por respeito a Gi, não escolheria, claro, Alê. Olhei para Bruno e falei: não vai ter jeito. E aconteceu., sobre aplausos e gritos das meninas. Não sei como a síndica de Fá não ligou para nós aquela hora da madrugada. Benditas cervejas e vinhos que nos permitiram anestesiar a lógica do raciocínio e embarcar na loucura ébria do jogo.
Acordei no dia seguinte com vergonha do mundo. Não pelo beijo que eu e Bruno trocamos, mas por ter sentido um tesão como mulher nenhuma que eu beijara antes tivesse me proporcionado. Sentia o perfume dele, tinha o gosto de minha boca em minha saliva, e isso me deixava excitado o tempo todo. Enfim, queria ver Bruno, embora não soubesse se teria coragem de encará-lo.
E foi à noite que nos encontramos. No bar, eu, Bia e Fá, quando ele chegou com Gi, Dani, Márcia e Alê.
Ninguém tocou no assunto da noite anterior, mas era visível o desconforto tanto meu quanto dele. E eram visíveis também nossas trocas de olhares. Gi e Alê logo se foram. Iriam para um motel para coroar o fim de semana. Depois, Fá e Bia também foram embora.
Foi minha vez de ir. Precisava passar numa farmácia. Quando eu paguei a conta e saí, um SMS no meu celular: “preciso falar com você”. Gelei. Era de Bruno. Uma hora depois, estávamos num outro bar, perto da rua Augusta.
Ele também estava dividido em seus sentimentos. A vergonha pelo primeiro beijo com outro homem e a vontade de repeti-lo. Num rompante de loucura e desejo, chamei-o para meu apartamento.
E lá, sobre a proteção de minha privacidade, nos entregamos ao nosso desejo de forma intensa, viceral, como jamais havia me entregado antes. E nunca havia sentido alguém se entregar a mim como aquele homem se entregou. Como dois animais no cio, como dois homens loucos de tesão, desejo, fúria, mas com um romantismo e carinhos nunca sentidos. Por ambos.
Aquele corpo com pelos, peito sem seios, barba na cara tocando minha pele, pernas peludas entrelaçadas. Cheiro de machos, gemidos de machos, desejos de machos, pegadas de machos. E foi com aquele macho que eu dormi aquela noite.
Abraçados.
Domingo passado eu e Bruno reunimos os amigos em meu apartamento. Os oito que estavam naquele Jogo da Verdade. E anunciamos que aquela noite fazia um ano que eu e Bruno estávamos juntos. E que queríamos dividir isso com eles.
Todos, entre a surpresa, a perplexidade, e a alegria, nos cumprimentaram, Dani exigiu ser a madrinha.
E todos pediram para ver, de novo, um beijo meu e de Bruno.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
23. ANJOS E PECADORES
Ao chegar à cidade litorânea onde tenho uma casa, vi uma faixa num poste onde a prefeitura da Praia Grande (SP) saudava os participantes de um evento esportivo-religioso.Fui dormir depois das 3 da manhã e acordei no sábado às nove. Levei o cachorro para passear no calçadão, comprei o almoço, dei comida pro cachorro, fui para a praia e, em seguida, comprar algumas coisinhas pra equipar ainda mais a casa para eventuais locações no verão. Levei o cachorro agora para nadar no mar e à noite comprei uma pizza e mal esperei a “aaaaaaaaai, como eu tô bandida” da Valéria Vasques detonar sua amiga babuína e sempre bolinada Janete para desmaiar.
Sete da manhã estava acordado. Levei de novo o cachorro para o calçadão e antes das 9 eu estava na praia, caminhando junto ao mar, esperando o sol, ainda escondido atrás de um forte nevoeiro. Na areia, só os ambulantes preparando seus carrinhos aguardando os turistas que certamente ainda dormiam.
Foi quando avistei um homem, ao longe, fazendo sua corrida matinal. Usava apenas um short preto e tinha uma camiseta branca enrolada em uma de suas mãos. À medida que se aproximava, notei seu belo corpo, não malhado, mas definido. A pele morena, quase tendendo ao tom mulato, transpirava charme e sedução. Tirei os óculos escuros para que ele percebesse, ao passar por mim, que eu o olhava. Quando chegou perto, percebi que seus olhos miravam os meus. Passei o olhar por todo seu corpo e percebi que ele fez o mesmo. Reduziu os passos e parou ao meu lado.
- Você mora aqui?
- Não. Moro em São Paulo. E você?
- Sou do Mato Grosso, vim para os jogos.
Ele desistiu da corrida e caminhou conversando comigo pela praia. Tirou o tênis e, mesmo reclamando da água gelada, entrou no mar, para tirar o suor do corpo.O sol apareceu quente, queimando nossa pele. O papo fluía de forma natural. Ele disse ter 32 anos, e trabalhava como orientador. Eu disse apenas “ok”, mas meu olhar completou a frase: “e eu sou o verdadeiro dono da Rede Globo”. Por volta de meio dia, convidei-o para almoçar. Ele aceitou e fomos a um restaurante perto de casa. Ele falou onde estava hospedado e eu concluí que a pousada ficava na rua de trás, bem na direção de minha casa.
Ao terminar o almoço, disse que precisava ir para dar (mais) comida e água ao cachorro. Ele quis conhecê-lo, e levei-o.
Os dois brincaram lá fora, enquanto eu preparava comida e água gelada para o cachorro. Ele, então, veio pra dentro e, ali, sozinhos, ele soltou um elogio a mim:
- Você é muito bonito, inteligente, um homem iluminado.
- Pois sabe que eu penso o mesmo sobre você?
Um abraço, um beijo, e uma tarde de amor em nossa cama. Exaustos, mas felizes, plenos, ele com a cabeça em meu peito, disse:
- Tenho algo sério a falar a você...
O que ele tinha a dizer, eu já sabia. Pensei até que pudesse ser algo mais sério, como dizer que era soropositivo para o HIV, mas tivemos todos os cuidados.
- Eu sou padre.
- Eu sei. Você é muito culto, muito inteligente, muito articulado. Um “orientador” de seu fiel rebanho paroquial.
Ficamos juntos o resto do domingo. Voltamos à praia para levar o cachorro, comemos uma pizza e .
ele me fez ligar avisando quando chegasse em casa em São Paulo. Ele ainda ficaria aquela semana toda na praia.Trocamos mensagens, telefonemas todos os fins de noite. E na sexta-feira, lá estava eu na Rodovia dos Imigrantes rumo à Praia Grande.
No exato instante em que o Padre fechava a conta na pousada.
No fim de semana, o Padre estaria hospedado em meus braços!
domingo, 11 de setembro de 2011
22. O HOMEM CASADO
Eu e Tânia somos mais que amigos. Além de trabalharmos na mesma empresa, que tem unidades espalhadas por São Paulo e pelo país todo, ficamos amigos fora do ambiente corporativo, confidentes. E, claro, parceiros das noitadas.E numa dessas, ela me comunicou que uma amiga, Vera, iria junto. Tânia nunca entrou em detalhes, mas Vera a incomoda profundamente. E uma das razões é que Tânia serve de escada para seus esquemas. Vera mora em outro estado, mas sempre acompanha o namorado, Cássio, quando ele vem a trabalho a São Paulo. E naquela noite estávamos os quatro na balada.
Ao final, fomos a uma padaria. Vera começou com umas insinuações sobre o fato de eu ter ficado com um cara na balada. Claro que eu não gostei e soltei uma resposta elegantemente atravessada, que constrangeu seu namorado e Tânia.
Dois dias depois, um pedido de amizade no meu facebook. Cássio. Aceitei. Na troca de mensagens inbox, ele pediu meu MSN. E lá conversamos sobre a noite de sábado, ele pediu desculpas por Vera, etc. A conversa foi bacana mas um tanto esquisita. Percebi, nas entrelinhas e entreletras, um interesse acima do normal dele por mim. Liguei o alerta.
Um mês depois, Cássio me avisa que viria de novo a São Paulo. Falei que falaria com Tânia para sairmos, mas ele disse que conseguiu se livrar de Vera, e viria sozinho. Achei estranho aquilo. Mas liguei pra Tânia. Ela ficou perplexa, mas disse que não poderia sair, pois teria uma prova no domingo de algum concurso interno da empresa.
No sábado, fui buscar Cássio no hotel e perguntei onde ele gostaria de ir. Disse que eu era o cicerone, e onde eu fosse, ele iria. Mesmo que fosse a uma balada GLS.
Fomos a um bar GLS. Aí ele me contou sua história. Ele não é namorado de Vera. É amante. Cássio é casado, tem dois filhos, e Vera é um caso seu que ele está louco pra se livrar. Sobretudo porque ela está começando a fazer pressão pra ele largar da esposa. Ainda mais que ela foi transferida para a unidade que ele trabalha. O que Vera não sabe é que ele está de saída para fazer parte de uma diretoria em São Paulo. Nisso toca meu telefone. Era Tânia. Vera não parava de ligar pra ela, desesperada, porque Cássio simplesmente tinha sumido. E Tânia não falou que ele estava em São Paulo.
Perguntei a Cássio se ele não estava constrangido de estar num lugar GLS e aí veio a resposta que me deixou apavorado e ao mesmo tempo com um tesão enlouquecedor: A única pessoa que interessava ali era eu, e que ele gostaria muito de me conhecer melhor, depois que soube que eu era gay.
Atire a primeira pedra quem nunca saiu com um homem casado.
E ter passado a noite com aquele homem que, segundo ele diz (e eu insisto em não acreditar inteiramente), nunca tinha tocado outro homem antes, foi bom demais.
Tanto que quando ele vinha a São Paulo, enquanto não saía sua transferência, não ficava mais em hotel, mas na minha casa. E dormia na minha cama.Claro, contei tudo para Tânia. Com ela não tinha segredos.
E, o mais legal, foi ver a satisfação de Tânia cada vez que Vera vinha lhe jogar um ar superior. Aliás, Vera adorava deixar claro que ela era a tal. A poderosa, a senhora de si. A autoconfiante. A bem sucedida profissionalmente. Mas, o homem dela vinha sempre a São Paulo gozar mais intensamente na minha cama, e não na de Vera.
domingo, 14 de agosto de 2011
21. COMO TRANSFORMAR UM BAR HÉTERO NUM BAR GAY
01. Vá com mais cinco amigos a um bar qualquer, de preferência desses que tenham mesas na calçada.
02. Que todos os amigos tenham internet no celular.
03. Ao chegar ao local, façam check in e publiquem no Facebook.
04. Em hipótese alguma soltem a franga.
05. Tratem bem os garçons, sem jamais passar-lhes cantadas.
06. Comentem sobre acontecimentos envolvendo vocês em alguma balada gay, de modo que as pessoas das mesas próximas escutem (em bares com mesas na calçada ninguém fala baixo). Exemplo: “Lembra aquele porre que você tomou na The Week*?” Mas jamais ousem mencionar as partes picantes.
07. Gastem muito. Ainda que a presença de vocês não seja vista com bons olhos pelos outros frequentadores, o gerente não vai pedir-lhes que deixem o local.
08. Elogiem o local e o atendimento – mesmo que vocês não estejam curtindo muito.
09. Se receberem telefonemas de alguém perguntando onde vocês estão (sinal que não viram o check in no Facebook), chamem-no para ir ao bar.
10. Jamais paquerem alguém que esteja numa das mesas. Como vocês escolheram uma na calçada, olhem alguém que passou de carro. E que todo mundo perceba esta paquera (inclusive o povo da mesa ao lado).
11. Publiquem no Facebook, Twitter e afins que vocês adoraram o local e recomendem-no a todos os seus contatos.
12. Retornem na semana seguinte, ocupem a mesma mesa e repitam tudo o que fizeram. Mas comecem a agitar o encontro (também pelas redes sociais) com uns 2 dias de antecedência.
* The Week: a maior e mais badalada casa noturna gay de São Paulo. Até o mais convicto dos héteros já ouviu falar dela.
sábado, 6 de agosto de 2011
20. SER GAY É... (I)
Vinte coisas que um gay "precisa" fazer para ser aceito como tal.
Agradecimentos a Paulinho Dias, direto do Facebook.
01. Nós temos de beber muitas bebidas alcoólicas. E não suportarmos cigarro.
02. Nós temos de depilar todos os pelos.
03. Nós temos de usar camisinha.
04. Nós temos de andar na moda.
05. Nós temos de fazer terapia.
06. Nós não precisamos ter curso superior, mas temos de ganhar bem, seja da maneira que for.
07. Nós temos de considerar a ideia de colocar um piercing.
08. Nós temos de ter pelo menos uma camisa que contenha algum número estampado.
09. Nós não podemos ter ressaca, porque no dia seguinte tem pool party.
10. Nós temos de amar Madonna incondicionalmente.
11. Nós temos de saber tudo sobre os signos e sua influência na vida dos caras que conhecermos.
12. Nós temos de ter o carro mais moderno, ele não poder ser tunado sob qualquer hipótese e mesmo assim, vamos pro trabalho de metrô e pra balada de táxi.
13. Nós temos de caminhar apenas no Ibirapuera em São Paulo, ou no calçadão de Ipanema no Rio.
14. Nós temos de ter pelo menos uma tatuagem que envolva um dragão, símbolos japoneses ou uma inscrição sem sentido em letras góticas.
15. Nós temos de adorar comida japonesa e restaurante tailandês.
16. Nós temos de ir à praia todo fim de semana e se não morar em cidade de praia, fazer bronzeamento artificial.
17. Nós não precisamos ter religião, mas sempre jogar flores pra Iemanjá no fim de ano.
18. Nós temos de comer pouco.
19. Nós temos de viajar sempre de avião e paquerar o comissário.
20. Nós temos de deixar a cueca aparecer.
Você se enquadra em quantas destas? Breve, mais vinte.
Agradecimentos a Paulinho Dias, direto do Facebook.
01. Nós temos de beber muitas bebidas alcoólicas. E não suportarmos cigarro.02. Nós temos de depilar todos os pelos.
03. Nós temos de usar camisinha.
04. Nós temos de andar na moda.
05. Nós temos de fazer terapia.
06. Nós não precisamos ter curso superior, mas temos de ganhar bem, seja da maneira que for.
07. Nós temos de considerar a ideia de colocar um piercing.
08. Nós temos de ter pelo menos uma camisa que contenha algum número estampado.
09. Nós não podemos ter ressaca, porque no dia seguinte tem pool party.
10. Nós temos de amar Madonna incondicionalmente.
11. Nós temos de saber tudo sobre os signos e sua influência na vida dos caras que conhecermos.
12. Nós temos de ter o carro mais moderno, ele não poder ser tunado sob qualquer hipótese e mesmo assim, vamos pro trabalho de metrô e pra balada de táxi.
13. Nós temos de caminhar apenas no Ibirapuera em São Paulo, ou no calçadão de Ipanema no Rio.
14. Nós temos de ter pelo menos uma tatuagem que envolva um dragão, símbolos japoneses ou uma inscrição sem sentido em letras góticas.
15. Nós temos de adorar comida japonesa e restaurante tailandês.
16. Nós temos de ir à praia todo fim de semana e se não morar em cidade de praia, fazer bronzeamento artificial.17. Nós não precisamos ter religião, mas sempre jogar flores pra Iemanjá no fim de ano.
18. Nós temos de comer pouco.
19. Nós temos de viajar sempre de avião e paquerar o comissário.
20. Nós temos de deixar a cueca aparecer.
Você se enquadra em quantas destas? Breve, mais vinte.
sábado, 30 de julho de 2011
19. AMOR... A TRÊS (?)
- Alô?- Oi, sou eu.
- Tudo bem, meu querido?
- Tudo em ordem. Quer dizer... Preciso falar com você.
- Diga!
- Por telefone não. Prefiro pessoalmente.
(…)
- E então, o que de tão importante você quer falar comigo?
- Por que você não me contou?
- Contar o que?
- Que você e ele já ficaram?
- Você sabe que eu não sou de ficar falando com quem eu transo.
- Mas ele me contou. E você confirma...
- Sim, mas isso foi há dois anos. Eu nem te conhecia nesta época.
- Você tinha de ter me contado.
- Claro que não tinha.
- Mas a gente é amigo!
- Você é meu amigo, ele é meu amigo, há um mês eu apresentei vocês dois, vocês se apaixonaram. Você vai vir me cobrar algo que aconteceu há dois anos?
- Isso mesmo, eu sou seu amigo. Eu deveria saber.
- Rapaz, mas que diferença faz com quem ele transou ou deixou de transar antes de conhecê-lo, por que você insiste nesse assunto sem sentido algum?
- Porque eu sou seu amigo.
- É?
- Sim.
- Então, por essa sua linha de raciocínio, concorda que eu também deveria contar pra ele que eu, que te conheço há bem menos tempo, também já transei com você?
domingo, 24 de julho de 2011
18. OVER (Amy Wine) DOSE
Agradecimentos a Duxty Lykos
Amy Winehouse está morta. A música está de luto. Os fãs, perplexos. Mas, como disse Nelson Mota no Jornal Nacional, “crônica de uma morte anunciada”. Sim. Talentosa ao extremo, uma artista completa, dona de uma voz encantadora e de músicas que conquistaram multidões ao redor do planeta. E de uma intensidade de vida notável. Dentro e, sobretudo, fora dos palcos. E aí me veio a reflexão: quantas Amy Winehouses existem ao nosso redor?
Sim. Quantas vezes não se falou ou ouviu a expressão “viver a vida intensamente”? E o que é viver intensamente?
Cada ser humano pode produzir uma definição diferente para essa pergunta, mas atitudes acabam seguindo um padrão perturbadoramente perigoso em muitos casos. Só para citar um exemplo, o comportamento de pessoas nos seus momentos de lazer.
É impressionante a relação delas com excessos. Quantas vezes encontramos pessoas totalmente alcoolizadas, desprovidas de qualquer discernimento, em nome do tal prazer em viver a vida intensamente?
Pessoas que vivem sentimentos de forma arrebatadora, visceral, e acabam escravas dele. Amam e odeiam com a mesma intensidade de um avião em rota de decolagem. E quase se destroem ao perder o rumo desse amor. E não é apenas o amor entre duas pessoas, mas por coisas, pelo trabalho, por projetos. E se escondem atrás dos alucinógenos, como se fossem morfina injetada no coração.
Ou então, os tímidos, justificando-se como a única maneira de conseguirem se soltar, de mostrar-se para os outros o que têm de melhor, mergulham em cinco, seis copos de vodca com energético? Só para conseguir ter um flerte, um encontro, um beijo ou uma transa? E no dia seguinte, como é que sua conquista irá lidar com o tímido quando o efeito dos barbitúricos tiver passado?
Balinhas, pílulas, maconha, cocaína, crack, oxy, entre tantas, todas associadas a muito álcool, muitos corpos sem camisa bombados em academia ao longo de semanas de muito ferro puxado, ao som eletrizante do psy e afins produzem uma geração de pessoas que sempre precisarão de muletas para poder dar um passo à frente nas relações sociais, muitas vezes imitando comportamentos dos colegas.
Valores tornam-se perigosos a partir do momento em que se deturpam conceitos. A intensidade com que muitos “vivem a vida” pode ser perigosa no exato instante em que se usam de elementos que minimizam a força do caráter e da dignidade humana. Drogas e álcool nunca fizeram bem ao ser humano. E muitos dependem desses dois elementos, muitas vezes combinados, para garantir o sucesso de uma empreitada. Sem se preocupar com o dia seguinte.
São pessoas com pressa. “Pressa de viver”, dizem. E pressa é o elemento que nos motiva a chegar mais rápido ao nosso destino. E cada um elegeu seu destino. Cada um sabe onde quer chegar, e principalmente como e quando. Mas, será que vale a pena atropelarmos nossos próprios princípios para atingirmos as metas que nos impomos?
Porque o único destino que sabemos ser comum a TODOS os seres humanos é... a MORTE.
Amy Winehouse está morta. A música está de luto. Os fãs, perplexos. Mas, como disse Nelson Mota no Jornal Nacional, “crônica de uma morte anunciada”. Sim. Talentosa ao extremo, uma artista completa, dona de uma voz encantadora e de músicas que conquistaram multidões ao redor do planeta. E de uma intensidade de vida notável. Dentro e, sobretudo, fora dos palcos. E aí me veio a reflexão: quantas Amy Winehouses existem ao nosso redor?Sim. Quantas vezes não se falou ou ouviu a expressão “viver a vida intensamente”? E o que é viver intensamente?
Cada ser humano pode produzir uma definição diferente para essa pergunta, mas atitudes acabam seguindo um padrão perturbadoramente perigoso em muitos casos. Só para citar um exemplo, o comportamento de pessoas nos seus momentos de lazer.
É impressionante a relação delas com excessos. Quantas vezes encontramos pessoas totalmente alcoolizadas, desprovidas de qualquer discernimento, em nome do tal prazer em viver a vida intensamente?
Pessoas que vivem sentimentos de forma arrebatadora, visceral, e acabam escravas dele. Amam e odeiam com a mesma intensidade de um avião em rota de decolagem. E quase se destroem ao perder o rumo desse amor. E não é apenas o amor entre duas pessoas, mas por coisas, pelo trabalho, por projetos. E se escondem atrás dos alucinógenos, como se fossem morfina injetada no coração.
Ou então, os tímidos, justificando-se como a única maneira de conseguirem se soltar, de mostrar-se para os outros o que têm de melhor, mergulham em cinco, seis copos de vodca com energético? Só para conseguir ter um flerte, um encontro, um beijo ou uma transa? E no dia seguinte, como é que sua conquista irá lidar com o tímido quando o efeito dos barbitúricos tiver passado?Balinhas, pílulas, maconha, cocaína, crack, oxy, entre tantas, todas associadas a muito álcool, muitos corpos sem camisa bombados em academia ao longo de semanas de muito ferro puxado, ao som eletrizante do psy e afins produzem uma geração de pessoas que sempre precisarão de muletas para poder dar um passo à frente nas relações sociais, muitas vezes imitando comportamentos dos colegas.
Valores tornam-se perigosos a partir do momento em que se deturpam conceitos. A intensidade com que muitos “vivem a vida” pode ser perigosa no exato instante em que se usam de elementos que minimizam a força do caráter e da dignidade humana. Drogas e álcool nunca fizeram bem ao ser humano. E muitos dependem desses dois elementos, muitas vezes combinados, para garantir o sucesso de uma empreitada. Sem se preocupar com o dia seguinte.
São pessoas com pressa. “Pressa de viver”, dizem. E pressa é o elemento que nos motiva a chegar mais rápido ao nosso destino. E cada um elegeu seu destino. Cada um sabe onde quer chegar, e principalmente como e quando. Mas, será que vale a pena atropelarmos nossos próprios princípios para atingirmos as metas que nos impomos?Porque o único destino que sabemos ser comum a TODOS os seres humanos é... a MORTE.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
17. CAIM E ABEL
Eu namorava havia três anos. Um amor intenso, gostoso, verdadeiro. Aí, num vacilo, minha família ficou sabendo que eu era homossexual e namorava uma mulher.A casa caiu. Eu já morava no meu apartamento, sozinha. Meu pai parou de falar comigo. Minha mãe, falava só o necessário. E o necessário dela não ia além de grunhidos monossilábicos.
Por incrível que pareça, foi minha irmã que me deu a maior força. Ela é dois anos mais nova que eu, mas tem a turma dela, os amigos dela. Depois do episódio, ela foi o elo de ligação com minha família.
Felizmente, minha namorada esteve ao meu lado e aos poucos fomos quebrando a resistência de meus pais. Eles não eram totalmente receptivos a ela, no entanto, pararam de rejeitá-la. E aos poucos, a paz voltou a reinar em casa. Desta vez, com minha irmã como nossa amiga.
Sou produtora de eventos. Minha namorada é analista de marketing de uma grande empresa, onde trabalha no esquema home working. E foi numa tarde que tive de ir ao Pacaembu, que resolvi passar no apartamento dela.
Logo que cheguei, o porteiro, meu velho conhecido, já mandou que eu subisse. Como tinha a chave, estava tirando-a da bolsa, quando ouvi o som ligado. Ela estava ouvindo meu CD. “Que bom que ela gostou”, pensei enquanto entrava no apartamento. Sim, eu tenho a chave. Percebi que ela estava no banho, foi quando o terror tomou conta de minhas veias, o frio na espinha quase me paralisou. Havia outra mulher tomando banho com ela.
Ao chegar ao banheiro, o terror se transformou em horror. Pelo vidro fosco e molhado do box, eu não podia ser vista. Mas reconheci minha própria irmã com minha namorada.
Felizes. Estavam comemorando, justamente naquele dia, seis meses de relacionamento.Estilhaços de mim caminharam até a porta. Poderia transformar-me numa tigresa enfurecida e acabar com as duas. Com apenas uma lágrima, saí sem ser notada.
Não. Não iria descer ao nível dela. Nada contei. Agi como se estivesse tudo bem.
Até que o porteiro, com sua sede de fofocas e futricas, contasse que tinha aparecido naquela tarde no apartamento dela, eu teria tempo suficiente de preparar minha vingança contra duas das mulheres mais importantes da minha vida. Elas vão se arrepender do dia que resolveram me trair.
sábado, 9 de julho de 2011
16. BANDO DE HIPÓCRITAS
[PAI, PARA O FILHO] Que vergonha! Um filho gay! Era o que faltava. Desse jeito como vou me candidatar à reeleição pra prefeitura da cidade? Que papelão, hein, meu filho?
[MÃE, PARA O FILHO] Você é a nossa desonra! Uma das mais tradicionais famílias desta cidade e agora o filho vem e mancha o nome que seu bisavô criou com tanto empenho!
[IRMÃ, PARA O IRMÃO] Olha aqui, irmãozinho, quer sair com homem, saia, mas por favor, seja discreto, não vai ficar contando pra cidade toda. Já pensou se minhas amigas ficam sabendo?
[IRMÃO, PARA A IRMÃ] Fica sossegada, irmãzinha, eu sou super discreto. Afinal, eu não contei pra Juliana que você dá o cu pro namorado dela. Como eu sei? Vieram me contar no futebol. Ela não curte, então, o namorado dela enraba você!
[FILHO, PARA A MÃE] E, desonra, mãe, foi o que a senhora fez com a pobre coitada da Lurdes. Quase foi demitida pelo papai porque não foi ela que derrubou o vaso ao lado da garagem. Foi a senhora que entrou feito uma alucinada. E ainda a mandou limpar o parachoque do carro.
[FILHO, PARA O PAI] Quanto ao senhor, meu pai, tem alguma moral pra falar em vergonha? O senhor fez aquele engenheiro reformar nosso sítio só para a Secretaria de Obras contratar os serviços dele e poder superfaturar os orçamentos.
****************
Qualquer semelhança com fatos (sempre tem alguém que conhece um caso safadeza em família ou entre melhores amigos), pessoas (como as mães que vivem de fazer caridade com a língua ferina da fofoca e da mentira) ou acontecimentos reais (igual ao caso recente do helicóptero que caiu no mar e trouxe das profundezas as ligações perigosas de um certo governador) terá sido mera fonte de inspiração para este texto. Nada mais!
[MÃE, PARA O FILHO] Você é a nossa desonra! Uma das mais tradicionais famílias desta cidade e agora o filho vem e mancha o nome que seu bisavô criou com tanto empenho!
[IRMÃ, PARA O IRMÃO] Olha aqui, irmãozinho, quer sair com homem, saia, mas por favor, seja discreto, não vai ficar contando pra cidade toda. Já pensou se minhas amigas ficam sabendo?
[IRMÃO, PARA A IRMÃ] Fica sossegada, irmãzinha, eu sou super discreto. Afinal, eu não contei pra Juliana que você dá o cu pro namorado dela. Como eu sei? Vieram me contar no futebol. Ela não curte, então, o namorado dela enraba você!
[FILHO, PARA A MÃE] E, desonra, mãe, foi o que a senhora fez com a pobre coitada da Lurdes. Quase foi demitida pelo papai porque não foi ela que derrubou o vaso ao lado da garagem. Foi a senhora que entrou feito uma alucinada. E ainda a mandou limpar o parachoque do carro.
[FILHO, PARA O PAI] Quanto ao senhor, meu pai, tem alguma moral pra falar em vergonha? O senhor fez aquele engenheiro reformar nosso sítio só para a Secretaria de Obras contratar os serviços dele e poder superfaturar os orçamentos.
****************
Qualquer semelhança com fatos (sempre tem alguém que conhece um caso safadeza em família ou entre melhores amigos), pessoas (como as mães que vivem de fazer caridade com a língua ferina da fofoca e da mentira) ou acontecimentos reais (igual ao caso recente do helicóptero que caiu no mar e trouxe das profundezas as ligações perigosas de um certo governador) terá sido mera fonte de inspiração para este texto. Nada mais!
sábado, 2 de julho de 2011
15. UM GALÃ DA TV... NA MINHA CAMA
Fui ver uma peça de teatro com um casal amigo. Divertida, com vários atores da TV, foi um bom programa para aquele sábado frio. Depois da peça, fomos a um bar próximo. Eu estava com uma fome absurda.O bar estava cheio, não lotado. Sentamos numa mesa ao lado de uma grande, reservada para, descobri depois, os atores e produtores da peça.
Logo chegaram. Meus amigos estavam de costas para a mesa deles e eu de frente para ela. Um dos atores da peça, galã da TV, um dos campeões de correspondências, sentou-se bem em minha frente, de frente pra mim. Pude admirar como ele é bonito e que o sorriso é o mesmo da TV, só que a três metros de mim.
Meus amigos falavam dos planos das próximas férias, que queriam ir para a Europa.
Mesmo falando em tom normal, era possível que os assuntos fossem ouvidos. E o galã da TV percebeu que os dois amigos eram namorados. Talvez por isso começou a olhar mais para mim. Logo para mim.
Meus amigos iam esticar para uma balada. Eu, que adoro uma, não estava a fim de ir com eles. E ainda estava com fome. Pedi o cardápio. Quando percebi que o pessoal do teatro começou a ir embora também. Menos o galã da TV.
Ele, sozinho na mesa gigante, quando chegou o seu pedido (junto com o meu), deu um sorriso discreto pra mim, que foi retribuído. Eis que ele pega seu prato, vem até minha mesa e diz, com seu sotaque carioca carregadíssimo: “Posso ficar aqui? Aquela mesa está muito grande”.
Conversamos. E nosso lanche até esfriou. E o relógio girando. O galã da TV era uma pessoa, além de linda, agradável, com um bom papo. O bar ia fechar, e fomos gentilmente convidados a sair. Já tínhamos fechado a conta, levantamos e eu ofereci carona pra ele até seu hotel. Ele disse que era na rua de trás, mas aceitou.
Foi só entrar no meu carro, ele me deu um beijo. E que beijo! Longo, molhado, com paixão, com desejo. Confesso que dei conta do recado. Beijo é algo que não tenho modéstia. Gosto e beijo bem. E ele elogiou o meu.
- Deixa eu passar a noite com você?
- Mas, seu hotel...
- Na sua casa, não pode ser?
- O pessoal não vai estranhar?
- Eu tenho de estar de volta às cinco da tarde.
Acordei perto de meio dia e encontrei o galã da TV sentado na cama, sorrindo pra mim. Ao lado dele, uma bandeja com um belo café da manhã.
- Fui até a sua cozinha e preparei isso pra nós.
- Nossa! Quer me conquistar assim?
- Sim, quero. Porque você já me conquistou.
Café da manhã, banho, amor. Saímos para almoçar no shopping. De lá, fui levá-lo ao hotel. Ao chegar, ele me afagou o cabelo, tirou do bolso um ingresso da peça e disse para eu voltar à noite, que ele queria me ver na platéia.
E à noite lá estava eu. E eu percebi que ele me olhou várias vezes durante a encenação.
Quando acabou, uma pessoa pediu que eu aguardasse um instante. Ele, então, veio até a mim e me convidou para jantar.- Mas você não vai pegar o avião pro Rio?
- Resolvi ficar essa semana em São Paulo. Não estou trabalhando em novela e não tem nada importante pra eu fazer no Rio esta semana.
- Vai ficar caro esse hotel. Mas gostei de saber.
O galã da TV pegou, sim, o avião para o Rio. No outro domingo. E na noite seguinte, eu estava em Congonhas. Esperando o galã da TV.
BREVE NO "MEIO A MEIO":
- Bando de hipócritas
- Entre irmãos
- (Des)Amor à distância, parte 2
domingo, 26 de junho de 2011
14. SEGREDOS PERVERSOS
PARADA GAY, SÃO PAULO, 2011
[Ele] Desculpe-me, querido, estava com um cara ali.
[Eu] Ah, sim! Aquele rapaz de azul. Sei quem é.
[Ele] Conhece ele?
[Eu] Conheço. Na verdade ele não. Conheço aquele cara de branco ao lado dele, ali.
[Ele] Ah, o amigo que veio com ele.
[Eu] Marido dele, você quis dizer, né?
[Ele] O que???????????????????????
[Eu] Sim, marido. Moram juntos há uns cinco anos.
[Ele] Como assim? A gente estava aos beijos, ao lado do cara?????
[Eu] Sim. Você foi o combustível da trepada que vão dar quando chegar em casa!
[Ele] Você tá inventando isso!
[Eu] Estou não, rapaz! Eu conheci o marido num site de relacionamentos. Saímos, fomos a um café, e bastou um papo pra ele perceber que eu não era como tantos carinhas fáceis que têm por aí. Aí ele abriu o jogo e contou o lance deles. Eles se excitam e apimentam a relação com essa coisa de seduzir outros caras.
[Ele] Cara, isso não existe!
[Eu] Existe sim. É um tipo de perversidade. A psicologia explica. Eu, como não sou psicólogo, não entendo essas coisas. Sou mais a linha “moço certinho”...
[Ele] Meu, mas ele parecia tão estar curtindo ficar comigo.
[Eu] É? E marcaram algum encontro pra outro dia?
[Ele] A gente ficou de ser ver.
[Eu] Muito vago pra quem, como você acabou de me dizer, te curtiu. Se ele curtiu mesmo, ele ia querer seu fone. E não dizer “a gente se vê”.
[Ele] Nossa! Tô muito puto! Você deve ter ficado quando soube, não?
[Eu] Fiquei, mas ao mesmo tempo, ele foi sincero. Ainda dava tempo.
[Ele] Estou com ódio, cara. Ódio. Imagino que eles ainda vão pegar vários caras aqui.
[Eu] Muito provavelmente.
[Ele] Você tem razão. Ele foi muito perverso...
[Eu] Ah, para, vai! Estamos na maior parada gay do mundo. Tirando a minha, tem três milhões e meio de bocas aqui pra você beijar. Bocas que trazem histórias e muitos segredos perversos de vida que você nem desconfia. E é bom nem ficar sabendo. Afinal, sua boca também é bem perversa e guarda um monte de segredos!
[Ele] Desculpe-me, querido, estava com um cara ali.[Eu] Ah, sim! Aquele rapaz de azul. Sei quem é.
[Ele] Conhece ele?
[Eu] Conheço. Na verdade ele não. Conheço aquele cara de branco ao lado dele, ali.
[Ele] Ah, o amigo que veio com ele.
[Eu] Marido dele, você quis dizer, né?
[Ele] O que???????????????????????
[Eu] Sim, marido. Moram juntos há uns cinco anos.
[Ele] Como assim? A gente estava aos beijos, ao lado do cara?????
[Eu] Sim. Você foi o combustível da trepada que vão dar quando chegar em casa!
[Ele] Você tá inventando isso!
[Eu] Estou não, rapaz! Eu conheci o marido num site de relacionamentos. Saímos, fomos a um café, e bastou um papo pra ele perceber que eu não era como tantos carinhas fáceis que têm por aí. Aí ele abriu o jogo e contou o lance deles. Eles se excitam e apimentam a relação com essa coisa de seduzir outros caras.
[Ele] Cara, isso não existe!
[Eu] Existe sim. É um tipo de perversidade. A psicologia explica. Eu, como não sou psicólogo, não entendo essas coisas. Sou mais a linha “moço certinho”...
[Ele] Meu, mas ele parecia tão estar curtindo ficar comigo.
[Eu] É? E marcaram algum encontro pra outro dia?
[Ele] A gente ficou de ser ver.
[Eu] Muito vago pra quem, como você acabou de me dizer, te curtiu. Se ele curtiu mesmo, ele ia querer seu fone. E não dizer “a gente se vê”.
[Ele] Nossa! Tô muito puto! Você deve ter ficado quando soube, não?
[Eu] Fiquei, mas ao mesmo tempo, ele foi sincero. Ainda dava tempo.
[Ele] Estou com ódio, cara. Ódio. Imagino que eles ainda vão pegar vários caras aqui.
[Eu] Muito provavelmente.
[Ele] Você tem razão. Ele foi muito perverso...[Eu] Ah, para, vai! Estamos na maior parada gay do mundo. Tirando a minha, tem três milhões e meio de bocas aqui pra você beijar. Bocas que trazem histórias e muitos segredos perversos de vida que você nem desconfia. E é bom nem ficar sabendo. Afinal, sua boca também é bem perversa e guarda um monte de segredos!
domingo, 19 de junho de 2011
13. COMO ME TORNEI UM GAROTO DE PROGRAMA (I)
"Seus truques e confusões
Se espalham pelos pêlos
Boca e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me agarram pelas pernas"
Se espalham pelos pêlos
Boca e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me agarram pelas pernas"
Garotos 2 - Leoni
Nota do autor: baseado em fatos reais. Nomes e eventos alterados para preservar a identidade dos envolvidos.
Minha história não é muito diferente da de muitos garotos. Nem as justificativas. Tampouco as desculpas.Advogado liberal pode ganhar muito dinheiro. Mas não tem férias, décimo terceiro e, se descuidar, não tem nem plano de saúde nem de aposentadoria. Felizmente meu pai tinha quando, de tanto trabalhar, enfiou o carro embaixo daquele caminhão na Marginal Tietê, naquele chuvoso fim de tarde de outubro. Foram meses de internação, tratamentos, cirurgias, remédios e, claro, falta de dinheiro em casa.
Eu estava indo para o terceiro ano de administração no Mackenzie. Assim como minha irmã que ia de metrô e trem para a USP, tive de deixar meu carro a semana inteira na garagem e encarar ônibus.
Não trabalhava. Eu me dedicava aos estudos. Era um aluno de notas 9 ou 10. Os colegas se estapeavam para estar na minha equipe nos trabalhos em grupo. Eu, particularmente, preferia fazer sozinho. Mas, quando começou o terceiro ano, eu precisava mais que um estágio, precisava de emprego pra ajudar nas despesas da família. Meu pai já se recuperava em casa, mas os clientes tinham sumido. Seria uma luta recomeçar. Dinheiro passou a ser contado a cada centavo. Eu não poderia desistir da faculdade. Nem era a vontade do meu pai. Sorte ter meu amigo Wagão (Wagner) que ajudava desde caronas na volta pra casa, até cópias de livros.
E o professor de Organização e Métodos (O e M), o mais temido do Mackenzie, exigiu que comprássemos um livro caríssimo. Quase trezentos reais. E não admitia cópias. “Se você não tem dinheiro para comprar um livro, não tem o direito de estudar aqui”. Naquela noite, Wagão saiu mais cedo. Subi a Consolação à pé para pegar, na Avenida Paulista, o ônibus para ir pra casa. Fui pensando. Tinha anotado quatro fones de empresas que anunciaram estágios no mural da faculdade. Mas eu precisava comprar o livro em uma semana. Onde eu ia arrumar quase trezentos reais?
Foi quando aquele carro preto parou no semáforo fechado na esquina. Que carro! Sempre gostei de carros. Não costumo perder nenhum Salão do Automóvel. Aquele carro era um sonho. Fiquei admirando-o. O semáforo ficou verde e o carro entrou à direita. Continuei subindo a Consolação. Quando eu estava ao lado do cemitério, o mesmo carro dos sonhos parou. O vidro abriu. Um senhor de aproximadamente 50 anos ao volante. Achei que ele fosse me perguntar alguma coisa sobre um caminho, mas...
- Oi, boa noite.
- Boa noite.
- Gostou do carro?
- Muito interessante. Está de parabéns!
- Está a fim de dar uma volta – percebi que ele olhava meu corpo.
- Entra, vamos dar uma volta, e depois, se quiser, podemos esticar no meu apartamento.
- C-Como?
- É! Não está a fim de um programa? Diga quanto você quer, que eu pago.
Terror, medo, excitação, tudo isso passou pela minha cabeça naquele momento. Apenas olhava aquele senhor que com certeza seria um alto executivo de alguma multinacional. Pensava no meu pai, no livro.- Vamos, diga quanto você quer.
- Trezentos reais.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
12. AS ESTRANHAS RAZÕES DO CORAÇÃO
Todo solteiro sonha encontrar um grande amor.Todos nós temos pré disposição a conhecer alguém com algumas características que nos agradam em especial. Seja no aspecto físico, seja no olhar, no sorriso, nas idéias.
Quando encontramos a pessoa que agrupa algumas (ou muitas) dessas características, claro que ficamos mais antenados, mais atentos.
Permitimo-nos buscar conhecer esta pessoa melhor, de modo a nos permitirmos querer de alguma maneira fazer parte de sua vida.
E, se acontece o encontro, o som da voz, as expressões de seu rosto, a maneira como (nos) olha, e isso acaba nos agradando, a aproximação torna-se ainda mais latente e, se surgir a chamada "química", fica tudo (quase) perfeito.
Pois é. Comigo aconteceu. E não foi uma vez. Ou duas. Ou mesmo, três. Foram quatro. Isso mesmo, recentemente foram quatro pessoas que entraram em minha vida de alguma forma. Mas sua permanência não passou de uma noite.
Sim, isso me preocupa. E muito.
Claro que eu gostaria de viver, de novo, um grande amor. Ter uma companhia seja para um fim de semana no sofá, com pipocas e filme, seja para uma balada.
Sinto falta de alguém para ir ao supermercado fazer as compras da casa (da minha e da dele, por enquanto), comprar roupas, trocar presentes no dia dos namorados, dar ou receber presente de Natal ou aniversário ou aniversário de namoro, passear com meu cachorro pelas ruas de São Paulo, ficar de mãos dadas no cinema, passar protetor solar nas costas quando formos à praia, dormir de conchinha (e acordar "Channel" no dia seguinte), ligar sem motivo só pra dizer que estava pensando naquele momento, enfim.
Mas, como vou viver tudo isso se meu coração está se permitindo paixões efêmeras, "eternas de uma noite só", como se cada encontro fosse apenas (e não é) para a satisfação de um desejo, de um tesão, que não resiste aos primeiros raios de sol da manhã seguinte?
O que tem me servido de (algum) consolo é que as quatro pessoas que eu me permiti "algo a mais" também desapareceram. Seu MSN, antes sempre online para trocarmos longas conversas passou a sempre estar offline. Se antes, meu celular sempre tocava, ou quando eu ligava, sempre era atendido antes do terceiro toque, hoje ele sempre está fora de área, tampouco recebo torpedos. E é até bom, porque alguém do outro lado não se envolveu. Ou seja, não sofreria um sentimento que eu não teria para dar no dia seguinte.
O coração tem, sim, razões que a própria razão desconhece. E se o meu tem as suas, eu só sei de uma coisa: a partir de agora, eu vou buscar, nas minhas razões que EU conheço, aquelas que vão dar razão para ele não deixar sentimentos, oportunidades e possibilidades que acontecem num encontro, se dissolverem depois de uma noite de sexo e sono. Ficar só reclamando em nada resolverá. O importante é agir.
Eu quero ser feliz. E vou ser feliz ao lado de alguém feliz comigo. Então, querer é poder. Grande amor: aí vou eu!!!
terça-feira, 24 de maio de 2011
11. UM MONSTRO CHAMADO Lady Gaga
Assisti e gravei o especial LADY GAGA PRESENTS THE MONSTER BALL AT MADISON SQUARE GARDEN na HBO, por sugestão de meu amigo e blogueiro Carlos Roberto.Neste concerto épico, a turma de Lady Gaga está perdida em Nova Iorque, buscando encontrar o local do show. Tentam chegar pelo metrô; através do Central Park, onde encontram o Monstro da Fama (e, numa sacada genial, a cantora apresenta a música Paparazzi); e finalmente encontram o Madison. Antes do show, Lady Gaga chora (!), lembrando que quando era criança, sua mãe a levava para ver shows de artistas que a criança Stefani Joanne gostava. E dali a alguns instantes, seria ela a ser ovacionada por milhares de pessoas.
Durante o concerto, com imagens em preto e branco, toda a movimentação de troca de roupas (seis) e retoques de maquiagem da cantora e bailarinos.
Enquanto via o concerto, fiquei pensando em duas coisas que sempre vejo nas reportagens, artigos, e qualquer coisa que se publique sobre Lady Gaga. A primeira é toda e qualquer referência ou citação a Madonna. E a segunda é sobre quanto tempo o fenômeno Lady Gaga vai durar.
Lady Gaga nunca escondeu ter sido fã de Madonna desde criança. Também que Madonna sempre foi uma inspiradora de sua carreira. Um ex namorado meu, que viu fragmentos do especial comigo, reconheceu tais referências a Madonna não apenas na música que encerra o show (Born this way), como nos cenários, e em até algumas posturas da cantora. Há também algumas ousadias, como louvar seu público (a quem ela chama carinhosamente de "pequenos monstros") e estimulá-lo a sempre realizar seu sonho, além de uma ode à causa gay, que culmina com um beijo ridiculamente técnico entre dois dançarinos ao final da música Alejandro. Durante o concerto, Lady Gaga refere-se a Madonna várias vezes, de maneira carinhosa ("aquela vadia").Quando se fala no tempo que vai durar sua carreira, a resposta pode estar na capacidade de Lady Gaga produzir assunto.
É sabido que celebridades sobrevivem durante o tempo que provocam interesse em seus fãs. E Lady Gaga, só por existir, provoca este interesse. Não à toa, possui mais de 10 milhões de seguidores no Twitter. Lady Gaga já vestiu roupa composta por bifes, foi carregada pelo público quase nua e, recentemente (depois da gravação do concerto da HBO, que foi em maio), aplicou dois chifres na altura dos ombros.
Claro, os dez milhões de seguidores e outros tantos milhões espalhados pelo planeta, esperam novidades da popstar. Alguém acha que a indústria Lady Gaga vai parar de produzir novidades e provocar interesse?Portanto, vida longa a Lady Gaga. Fãs que a manterão viva por muito tempo, ela tem de sobra. Não precisa que a mídia repita as mesmas perguntas sempre. Nem gaste laudas e mais laudas para não respondê-las. Talento ela tem. Seja no palco, na voz, nas letras que (sim) compõe, nas notícias que cria. Fora que é jovem. Tem uma longa estrada para percorrer. E quem sabe?, crescer junto com seus fãs, e conquistar outros a cada trabalho novo que produzir.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
ep. 10 - NAS MELHORES FAMÍLIAS
Guto não estava com a menor vontade de ir ao aniversário dos 80 anos da avó Aurora. Mas o pedido intimativo da mãe o convenceu. Iriam estar todos os filhos, netos, bisnetos e agregados num sítio alugado para a festa.Guto morava em São Paulo desde os 12 anos. Quando o pai se aposentou e voltou pro interior, ele estava na faculdade e foi ficando, ao mesmo tempo em que perdera o contato com praticamente toda a família. Vez ou outra via, além da Vó Aurora, a tia Marlene, sua madrinha, e mãe de Tiago. Um moreno mirradinho, chato, que só chorava. Reencontrá-lo seria um porre.
Viajou na sexta à noite e às 10 da manhã do sábado, com os pais, chegava ao sítio. Logo em seguida, Beth, sua irmã, com o marido e seus três filhos. As únicas crianças que Guto realmente amava.
Vó Aurora estava linda, lúcida, feliz e bebendo uma cervejinha. Guto pegou uma garrafa de Itaipava e foi brindar com ela. A esfuziante tia Marlene chegou. Abraçou o sobrinho e quando uma parenta perguntou quando ele ia casar, Marlene respondeu por ele: “Casa não, meu sobrinho. Curta a vida lá em São Paulo. Eu digo isso pro Vinny: não case. Falando nisso, TIIIIIIIIIII, VEM CÁ!!!!!”
A tia chamou o primo chato. Foi quando duas emoções tomaram conta de Guto. A primeira, a visão daquele moreno lindíssimo, cabelos escuros, um sorriso lindo no rosto, abrilhantado por um par de olhos esverdeados hipnotizantes, um par de covinhas no rosto e um belo furo no queixo. A outra emoção foi a sensação de tê-lo visto em algum lugar. Os dois trocaram um forte abraço, sob as bênçãos de tia Marlene.
Guto tomava uma cerveja quando Tiago chegou para conversar...
- Bom ver você aqui. Há quanto tempo...
- Dezoito anos. Eu tinha doze quando fui pra São Paulo.
- Eu estou lá há seis. Fiz faculdade e agora trabalho.
- Mora onde lá?
- Pinheiros, perto da Faria Lima, e você?
- Paraíso, perto da Avenida Paulista... Está casado? Namorando?
- Não – Guto percebeu um certo desconforto no primo –, faz dois meses que terminei um namoro.

Guto estava curtindo a balada quando percebeu aquele rapaz olhando-o. Retribuiu o olhar com um sorriso. Ficaram na troca de olhares e sorrisos por alguns minutos. Ate que um moreno voltou do banheiro e beijou o rapaz, que passou a disfarçar as olhadas para Guto. O moreno era Tiago.
- Desculpe ter perguntado... Mas, mudando de assunto... Você era tão chato, tão magrelo, tão chorão – ele se lembrou do primo na balada, só precisava “dar o recado” – o tempo fez bem pra você. Está um belo homem – disse, olhando-o de cima a baixo.
- Obrigado – encabulou-se e olhou para o chão, onde foi procurar a coragem para dizer –, você também está muito bonito.
Churrasco rolando, crianças na piscina, os sobrinhos de Guto alugando deliciosamente o tio, ele pediu um tempo e foi sentar-se na varanda. Tiago estava lá.
- Cansou, primo?
- Já deu por hoje! Queria era dormir um pouco.
- Viaja amanhã?
- Sim, vou no ônibus das cinco.
- Eu sairei umas 8. Não quero pegar trânsito na chegada. Quer ir comigo?
- Eu já comprei a passagem!
Alguém se mete na conversa...
- Não se preocupe, Ti, seu pai vende a passagem – a onipresença de Tia Marlene é algo fascinante às vezes –. Eu vou ficar mais tranquila se você for com seu primo.
- Mas, mãe...
- Assunto encerrado! Guto, ele vai com você.
O que se desenhava um fim de semana enfadonho, de repente se transformava em algo deliciosamente surpreendente. Na hora de ir embora, uma conversa com a mãe:
- Filho, tome cuidado.
- Relaxa, mãe, vou até mais devagar.- Estou falando do Tiago. Será que meu sobrinho vai virar meu genro?
- Se virar, a senhora será a primeira a saber.
- Ah, sei não, do jeito a Marlene é, acho que serei a segunda.
- Te amo, mãe – Guto abraçou-a com o mesmo calor da ansiedade pela viagem de volta a São Paulo.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
ep. 09 - "DEZESSEIS"
Fernando sai do banho, toalha na cintura. Abre o armário. “Uma camiseta azul ou a branca?” É quinta feira, A Loca vai bombar e ele vai se jogar na pista com as músicas do DJ André Pomba.Fernando é conhecido na noite: um dos homens mais atraentes e também mais misteriosos de São Paulo. Cobiçado pelos que ainda não beijou, odiado por alguns a quem deixou claro que “era apenas um fast foda”, sabe que consegue quem quiser.
Pegou a chave do carro, o maço de Marlboro Light, o Halls, a carteira e foi.
No carro, um nécessaire com camisinhas, gel íntimo, escova de dente, escova de cabelos, creme dental, enxaguante bucal e um desodorante. Nunca sabe onde vai dormir. Sabe apenas que homem algum vai conhecer seu apartamento no bairro das Perdizes.
Fernando chega à balada quando ela está praticamente lotada, quase na hora do show. Faz parte de sua estratégia. E sente-se bem ao perceber que todos os homens lançam olhares de cobiça em sua direção. Agora é só escolher os que vai beijar.
E é assim toda quinta; toda sexta; todo sábado; todo domingo. Ninguém tem notícias de que ele tenha se ligado a algum homem. “Namorado? Quero é curtir a vida, é cedo pra me amarrar”, como se seus 28 anos permitissem variar bocas, corpos, bundas e paus ao seu bel prazer.
Fernando tem um único amigo em especial. Maurício, que já está perto dos 40 anos. Apesar da diferença, tanto de idade, como de comportamento, um compreende e aceita o outro. Enquanto Fernando é despachado e popular, Maurício é mais contido, tímido. Mas é quem fala aquilo que Fernando precisa, deve e nem sempre gosta e quer ouvir. E quem ouve todas as peripécias sexuais do amigo. Quando se conheceram, em 2006, Maurício, com 34 anos, se encantou por aquele então menino charmoso, moreno de olhos esverdeados, de 23 anos. Como nunca deixou esse sentimento transparecer, a amizade acabou prevalecendo e Maurício tinha Fernando como seu parceiro. Mesmo não compartilhando das mesmas idéias e dos mesmos programas, compartilhavam respeito e confidências. Algumas delas, tórridas demais!Sexta feira. Fernando acordou na cama do rapaz que o levou à sua casa para terminarem o que começaram na pista da Loca. Tomou um banho, vestiu-se e foi pra sua casa para trocar a roupa. Ao chegar, resolveu ligar para Maurício. Atendeu uma mulher com voz embargada:
- Fernando? É a Deborah.
- Oi, Deborah, não sabia que estava em São Paulo.
- Maurício teve um enfarte no fim da noite de ontem. Faleceu no começo da madrugada.
O chão se abriu. Fernando desabou no sofá, incrédulo. Sentia-se frágil, desprotegido, inseguro. Não foi trabalhar. Viajou com Deborah para o interior. Acompanhou o funeral do único amigo que conquistara na vida. Na saída do cemitério, Deborah o abordou:
- Obrigado por tudo o que fez pelo meu irmão.
- Eu é que sempre vou agradecer pelo que ele fez por mim.
- Mas eu estou falando do que você fez: ele sempre o amou, Fernando, e mesmo você não estando apaixonado por ele, nunca o descartou, nunca o considerou um estorvo.
- Como assim? Você quer dizer que Maurício...
- Ele era louco por você, Fernando. E por você nunca tê-lo abandonado por isso – Deborah o abraça – eu só tenho a agradecer por não deixar meu irmão sofrer.
Sozinho, no carro, na volta para São Paulo naquele fim de tarde de sábado, Fernando pensava nas palavras de Deborah. Sentia-se idiota.
Fernando amava Maurício em silêncio. Tantos homens, tantos beijos, tantas bocas, tantas trepadas. Nenhuma era a de Maurício. E, na falta de coragem de declarar seu amor ao amigo, não fora capaz de perceber o amor que Maurício lhe dedicava.
“Eu ainda tenho uma chance. Maurício, meu amor, me espere. Vou te encontrar e vamos ser eternamente felizes”.Fernando aumentou o volume do rádio. Tocava, coincidentemente, a música “Dezesseis”, da banda Legião Urbana. Acelerou o carro. Logo adiante, uma curva. Para encontrar Maurício, Fernando seguiu em frente. Com um sorriso que nascia entre as lágrimas que corriam pelo seu rosto. "Strawberry Fields Forever"
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